O Ministério Público propôs a alteração da prisão preventiva pela domiciliária de José Sócrates. A informação foi transmitida aos jornalistas, esta tarde, pelo advogado João Araújo, à entrada do Estabelecimento Prisional de Évora.

"Foi-nos comunicado uma promoção do Ministério Público: a substituição da prisão pela obrigação de permanência na residência", disse João Araújo aos jornalistas. "A mim pessoalmente não me agrada.

O senhor engenheiro [José Sócrates] vai-se pronunciar na terça-feira", acrescentou João Araújo, sem querer indicar qual a posição do ex-primeiro-ministro sobre esta proposta de alteração da medida de coação, que será revista dia 9 pelo juiz Carlos Alexandre do Tribunal Central de Instrução Criminal. 

Para o advogado, a prisão domiciliária não é uma medida que lhe agrade porque "não há nenhum motivo para qualquer medida de coação". Esta é também a posição de José Sócrates, que segundo apurou a TVI24, tem dito a quem lhe visita em Évora que não está disposto a ir para casa sem ser em plena liberdade. Ou seja, a troca da prisão preventiva pela domiciliária pode não ser sequer aceite pelo ex-governante. Esta não é, contudo, a opinião dos seus familiares e amigos, que terão até à próxima terça-feira para convencê-lo a aceitar a prisão domiciliária com pulseira eletrónica. 

Segundo apurou a TVI24, a promoção do Ministério Público chegou na sexta-feira aos advogados de Sócrates e consagra o argumento da perturbação de inquérito, deixando cair o perigo de fuga e a continuação da atividade criminosa. 
 

António Costa recusa-se a comentar


Na reta final da Convenção socialista, o secretário-geral do PS escusou-se a comentar a proposta do Ministério Público sobre a eventual passagem a prisão domiciliária do antigo primeiro-ministro socialista José Sócrates, avançada pelo advogado do ex-líder do PS.

"[Digo] o que sempre disse. Sabem que eu, decisões judiciárias, não comento", limitou-se a dizer António Costa, à saída do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, após a convenção nacional do Partido Socialista.



José Sócrates foi detido a 21 de novembro de 2014, no aeroporto de Lisboa, no âmbito da "Operação Marquês", tendo-lhe decretada prisão preventiva no dia 25 de novembro.

O antigo chefe de Governo está indiciado pelos crimes de crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção, sendo o único arguido ainda em prisão preventiva neste processo, depois de o empresário Carlos Santos Silva estar em prisão domiciliária, com pulseira eletrónica, desde o final de maio.

No âmbito do processo, são ainda arguidos os empresários Joaquim Barroca Rodrigues, do Grupo Lena, Lalanda de Castro e Inês do Rosário, mulher de Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e o antigo motorista de José Sócrates João Perna.

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