A coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins recusou hoje comentar a detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates afirmando que essa é uma investigação que cabe às autoridades judiciárias.

À entrada para a 9.ª convenção do Bloco de Esquerda, em Lisboa, Catarina Martins declarou que, na reunião magna deste fim de semana, os bloquistas estão concentrados em debater a sua estratégia política para os próximos anos.

«À política o que é da política, à justiça o que é da justiça», declarou a coordenadora do Bloco de Esquerda.

O ex-primeiro-ministro José Sócrates foi detido na sexta-feira à noite, quando chegava ao aeroporto de Lisboa, no âmbito de um processo de suspeitas de crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção.

Esta é a primeira vez na história da democracia portuguesa que um antigo primeiro-ministro é detido para interrogatório.

Às primeiras horas de sábado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou, em comunicado, a detenção de quatro pessoas, entre elas Sócrates, depois de a notícia ter sido avançada pelas edições «on-line» do Sol e Correio da Manhã.

No processo, segundo a PGR, estão a ser investigadas operações bancárias, movimentos e transferências de dinheiro sem justificação conhecida e legalmente admissível.

O inquérito está a ser desenvolvido no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e foram feitas buscas em vários locais, envolvendo quatro magistrados do Ministério Público e 60 elementos da autoridade Tributária e Aduaneira e da PSP.