“A minha detenção para interrogatório foi um abuso e o espetáculo montado em torno de uma infâmia; as imputações que me são dirigidas são absurdas, injustas e infundamentadas; a decisão de me colocar em prisão preventiva é injustificada e constitui uma humilhação gratuita.”




“Será em legítima defesa que irei, conforme for entendendo, desmentir as falsidades lançadas sobre mim e responsabilizar os que as engendraram.”




“Não tenho dúvidas que este caso tem também contornos políticos (…). Quero o que for político à margem deste debate. Este processo é comigo e só comigo. Qualquer envolvimento do Partido Socialista só me prejudicaria, prejudicaria o partido e prejudicaria a democracia."




“Só deixa de ser livre quem perde a dignidade. Sinto-me mais livre do que nunca.”




“No primeiro ano, vivi num apartamento arrendado [em Paris]; depois, de setembro de 2012 a junho de 2013, vivi no apartamento que em foi emprestado pelo meu amigo eng. Santos Silva, que o comprou para o restaurar, arrendar ou vender, que é a situação atual dele. Saí quando começaram as obras.”




“Prende-se principalmente para despersonalizar. Não, já não és um cidadão face às instituições, és um ‘recluso’ que enfrenta as ‘autoridades’: a tua palavra já não vale o mesmo que a nossa. Mais do que tudo – prende-se para calar.”




“O ‘sistema’ vive da cobardia dos políticos, da cumplicidade de alguns jornalistas, do cinismo das faculdades e dos professores de Direito e do desprezo que as pessoas decentes têm por tudo isto.”




“Apesar da minha insistência, nunca, em nenhum momento, nem a acusação nem o juiz foram capazes de me dizer quando e como é que fui corrompido, onde ou sequer em que país do mundo essa corrupção aconteceu, nem por quem, a troco de quê, qual a vantagem que obtive ou qual a que concedi, lícita ou ilícita. Nada, rigorosamente nada.”




“A prisão preventiva foi aqui utilizada para investigar mas também para aterrorizar, para despersonalizar – e para calar. Hoje, quero dizer mais: neste caso, prendeu-se para, em certo sentido, provar.”




“Aos olhos da opinião pública a prisão substituiu-se ao processo, à investigação, à instrução, aos indícios, às provas, ao contraditório, ao julgamento - e até à sentença.”




“Fui detido e preso (preventivamente) sem me terem sido referidos nem factos nem provas de que tenha cometido quaisquer crimes, a começar pelo crime de corrupção que estaria na origem de tudo. (…) É uma imaginativa cascata de presunções.”




“Afinal, se ele está preso, que mais é que é preciso provar? A resposta, porém, por estranho que pareça, é esta: tudo. Falta provar rigorosamente tudo. Isto, obviamente, é gravíssimo.”




“Sei que quando decidiram proibir-me de falar, o que pretendiam conseguir era que tudo estivesse do lado deles - o procurador, o juiz, os jornais. E podem, de facto, ter muito do lado deles. Menos a verdade. Essa, não está do lado deles. E é pelo triunfo da verdade que lutarei.”




“Este processo é, na sua essência, político. No sentido em que tem que ver com o poder, os seus limites e o seu exercício; o poder de deter para interrogar e o poder de prender preventivamente pessoas inocentes. Já para não falar nas consequências que este processo inevitavelmente terá na disputa política. Veremos quais. Como já disse, isto ainda agora começou.”




“A minha detenção nada teve a ver com justiça, mas com espetáculo. Não se tratou de cumprir um qualquer objetivo jurídico legítimo, mas teatralizar politicamente uma ação judicial.”




“Nunca fugi de nenhuma dificuldade, sempre as enfrentei.”




“Onde é que estão as famosas ‘provas’ ou os ‘fortes indícios’ dos crimes que me imputam? E, ao certo, de que crimes concretos é que estamos a falar? É essa a resposta que falta. E, enquanto faltar, nem esta prisão preventiva se justifica nem este processo pode ter futuro.”




“As violações do segredo de justiça vieram precisamente daqueles a quem compete fazer justiça e aplicar a lei.”




“Ao atacar um adversário político que está na prisão a defender-se de imputações injustas, o senhor primeiro-ministro não se limita a confirmar que não é um cidadão perfeito, antes revela o seu caráter e o quanto está próximo da miséria moral.”




“Este cobarde ataque pessoal em nada me surpreende. (…) A perseguição política e a tentativa de condicionamento do resultado das próximas eleições ficou agora clara aos olhos dos portugueses.”




“Em vez de atirar lama para cima dos outros, o senhor primeiro-ministro faria melhor em explicar aos portugueses se ele próprio cumpriu ou não cumpriu a lei. Pela minha parte, é o que tenho feito. Em noma da verdade é o que continuarei a fazer.”




“Ao fim de cinco meses em prisão preventiva, o nosso estimável Ministério Público não teve ainda tempo para apresentar os factos e muito menos as provas dos crimes que me imputa. Pelos vistos, não acha que seja já tempo para apresentar a acusação.”




“Afinal, que crime completo foi esse? Não sei, nem o Ministério Público sabe, até porque não cometi crime algum. A única diferença é que o Ministério Público não se importa com isso. Tem uma teoria, acredita nela…”




“[O Ministério Público] Tem uma teoria, acredita nela e parece convencido de que não precisa de provar nada para me manter preso ou até para obter uma condenação.”




“No início deste processo ficámos a saber que se pode prender sem factos e sem provas; agora sabemos que é possível, sem factos e sem provas, manter alguém preso; só faltava que, no final, ficássemos a saber o que julgávamos para sempre afastado: que no nosso Estado, que queremos de Direito, é possível condenar alguém sempre sem factos e sem provas.”




“Nunca pensei que regressássemos a um tempo em que é necessário lembrar que quando a ação penal ignora as barreiras que o Estado de Direito lhe coloca, de proporcionalidade, de garantias de processo, de formalismo, o resultado será sempre o terrorismo de Estado. Mas claro, tudo isto é um ‘supor’.”




“Agora, o Ministério Público propõe prisão domiciliária com vigilância eletrónica, que continua a ser prisão, só que necessita do meu acordo. Nunca, em consciência, poderia dá-lo.”




“Todavia, o critério de decisão é simples - ela tem que estar de acordo com o respeito que devo a mim próprio e com o respeito que devo aos cargos públicos que exerci. Nas situações mais difíceis há sempre uma escolha. A minha é esta: digo não.”




“Também não ignoro - nem pactuo - com a utilização da prisão domiciliária com vigilância eletrónica como instrumento de suavização, destinado a corrigir erros de forma a parecer que nunca se cometeram.”




“Estas 'meias-libertações' não têm outro objetivo que não seja disfarçar o erro original e o sucessivo falhanço: depois de seis meses de prisão, nem factos, nem provas, nem acusação.”




“Julgo não me enganar quando vejo o ressentimento como causa do acinte e do azedume tão evidentes nas recentes decisões do senhor procurador da República e do senhor juiz de Instrução. (…) O poder que exerceram não foi o do direito, mas o da força.”




“Procurador não me consegue acusar. Resta a fuga para a frente.”




“Eis no que se transformou o Ministério Público: um sinistro aparelho de produção das mentiras mais escabrosas.”




“A minha prisão visa tão só impedir o PS de ganhar as próximas eleições legislativas.”




“A promiscuidade de alguns elementos judiciais com os tablóides - dá-me informações que eu digo bem de ti - corrói e corrompe o sistema. É um tumor que alastra e cujas metástases afetam e contaminam o prestígio e a dignidade das instituições judiciais.”




“Ao fim destes longos nove meses, creio que é tempo de todos tirarem uma conclusão: fui preso sem que existissem quaisquer provas contra mim. A interpretação mais benigna, embora ainda assim intolerável, é a de que me prenderam ‘para investigar’.”




“Já não é possível disfarçar que este se tornou um processo ‘saltitão’, em que a investigação saltita de uma teoria para outra de cada vez que a anterior esbarra contra a verdade. Bem vistas as coisas, a investigação já ‘acreditou’ em tudo e no seu contrário.”




“O ‘agente corruptor’ começou por ser o conjunto das empresas do eng.º Carlos Santos Silva, a seguir foi o Grupo Lena, mas evoluiu depois, sem pestanejar, para promotores turísticos e imobiliários com interesses no Algarve, explorando agora novas oportunidades no filão do mercado brasileiro.”




“À medida que o tempo passa cresce a legítima suspeita de que este processo tem como verdadeira motivação condicionar as próximas eleições e impedir a vitória do PS. Acontece que isso não compete à justiça, mas à política.”