O secretário-geral do PS, António Costa, escusou-se hoje a falar de qualquer assunto relacionado com o ex-primeiro-ministro José Sócrates, afirmando estar focado em questões centrais do país, como a defesa do estado social.

António Costa, que falava em Melgaço (Viana do Castelo), numa unidade de cuidados continuados pronta a funcionar desde 2012 e que representou um investimento de 1,5 milhões de euros, sublinhou a importância de defender o Serviço Nacional de Saúde (SNS), a Segurança Social e a escola pública.

O líder do PS classificou a unidade que visitou como "um péssimo exemplo do abandono a que este Governo votou o setor da saúde, considerando que o desenvolvimento de unidades de saúde primária e de cuidados continuados são fundmentais para desenvolver o SNS.

"Este espaço construído, equipado, há três anos fechado apesar de pronto para poder ser uma Unidade de Cuidados Continuados (UCC) e as UCC são uma valência fundamental para o desenvolvimento do SNS para podermos prestar melhores cuidados de saúde com menos custos e com maior proximidade às pessoas e às famílias. É absolutamente inaceitável que um equipamento destes esteja pronto e graças ao desinvestimento que o governo fez no SNS ele continue a estar fechado e a não poder ser aproveitado pela população quando há tantas carências de camas de cuidados continuados".

Apesar da insistência dos jornalistas, António Costa não respondeu diretamente a qualquer das questões colocadas envolvendo José Sócrates, dizendo apenas, quando questionado sobre o "ruído" que a saída de Sócrates da cadeia pode provocar na campanha eleitoral: "Ruído causa a inação deste governo e o programa deste governo de destruição ao estado social. Isso é que é uma ameaça aos portugueses."

Garantiu que o "compromisso" do PS é "defender o estado social", apontando caso da UCC de Melgaço como exemplo "de quem não sabe fazer contas, porque uma cama de hospital custa bastante mais do que uma cama de um UCC".

"Manter este serviço fechado significa estar a desperdiçar dinheiro que podia ser útil e necessários para desenvolvermos o SNS.

"Passarei a campanha eleitoral a falar do que me compete falar. Nós não podemos ter uma visão retórica em que dizemos umas coisas e fazemos outras. (...) Eu trato da política, a justiça trata da justiça", afirmou quando questionado pelos jornalistas se iria passar a campanha eleitoral sem falar de José Sócrates.

Na sexta-feira, em Braga, o líder do PS manifestou-se convicto de que a alteração da medida de coação aplicada ao ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates não irá influenciar o resultado das eleições legislativas de 04 de outubro.