É visto a entrar e a sair do Campus da Justiça, em Lisboa, várias vezes, desde sábado. Chega, pouco ou nada diz aos jornalistas e sai várias vezes para fumar e tomar café. João Araújo é o advogado que representa José Sócrates no processo em que se investigam crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção.
 
Desta vez, e tal como vinha a acontecer noutros processos mediáticos, não é o advogado Daniel Proença de Carvalho a defender Sócrates.  Daí, também, a dificuldade dos jornalistas em identificarem, no sábado, João Araújo. Mas este já tinha sido o advogado da mãe do ex-primeiro-ministro, no ano passado, num processo sobre uma dívida ao Fisco.
 
É preciso recuar até à década de 80 para encontrar um grande processo nas mãos de João Araújo. Nessa altura, defendeu dois arguidos, Humberto Dinis Machado e Maria Helena Pereira, no caso das FP-25, por alegados crimes de sangue cometidos em atentados.
 
O advogado, inscrito na Ordem desde outubro de 1977, não faz parte de nenhuma sociedade. Tem um escritório na Rua Pinheiro Chagas, em Lisboa.
 
Desde sábado que João Araújo tem passado os dias no Campus da Justiça. «Sócrates está muito melhor do que eu», respondia aos jornalistas, quando questionado sobre o estado anímico do ex-primeiro-ministro.
 
As respostas, aliás, não têm sido muitas. «Não respondo, ponto» é uma frase várias vezes repetida por João Araújo. «Disso sei, mas não vos digo» é outra.
 
«Faz parte de um estilo de advogado que está habituado a cultivar com muito rigor o sigilo profissional, tanto rigor que o impede de dizer o que quer que seja, mesmo, vi-o fazer isso com alguma dificuldade, o tipo de relacionamento e a forma como terá chegado ao cliente», afirmou o advogado Paulo Sá e Cunha na TVI24.
 
Segundo este causídico, João Araújo «faz parte de uma cultura que, infelizmente, porque depois há outros excessos no pólo oposto, se tem vindo a perder». «Há advogados que falam por vezes demais e esquecem-se que o sigilo profissional ainda existe e tem de ser preservado», completou.