O advogado de José Sócrates afirma que supõe que o atual diretor do «Jornal de Notícias» tenha avisado o ex-primeiro-ministro, em maio, de que estava a ser investigado.
 
Segundo João Araújo, em entrevista à SIC, Afonso Camões «soube dessa informação através de um jornalista» que «teve acesso à informação do processo», considerando-a «credível».
 
Questionado sobre se o então presidente do Conselho de Administração da Agência Lusa terá avisado Sócrates da investigação, o advogado respondeu: «Suponho que sim».
 
João Araújo recusou, no entanto, contar o que o ex-primeiro-ministro lhe disse sobre o assunto, alegando segredo profissional.
 
O atual diretor do JN reuniu-se na semana passada com a procuradora-geral da República. Afonso Camões terá pedido conselhos a Joana Marques Vidal sobre como agir neste processo, porque sabia que o telefonema ia ser divulgado, como aconteceu no fim de semana, em notícia do «Correio da Manhã».
 

«Afonso Camões solicitou a audiência a 8 de Janeiro e fundamentou o pedido no conhecimento de determinados factos relativos à denominada Operação Marquês, os quais gostaria que a procuradora-geral avaliasse», confirmou a PGR, em comunicado.

 
Fonte judicial indicou ao «Público» que, em maio de 2014, Afonso Camões terá ligado a Sócrates a contar que sabia que o ex-primeiro-ministro estava a ser investigado e o contacto foi apanhado nas escutas que estavam a ser realizadas a José Sócrates.
 
A notícia do «Correio da Manhã» dava conta não só do aviso, mas de que Sócrates também teria falado com o atual presidente do Conselho de Administração da Controlinveste, o advogado Daniel Proença de Carvalho - que representou o ex-primeiro-ministro em vários processos -, sobre a venda do grupo, admitindo ajudar no capital necessário para o negócio.
 
Num editorial publicado esta segunda-feira no «Jornal de Notícias», Afonso Camões conta a sua versão e acusa a equipa de investigação de ser a responsável pelas fugas de informação:
 

«É verdade: disse-me um jornalista do grupo empresarial da Coisa [referência à Cofina] que a prisão de Sócrates estava iminente. Esse mensageiro cometeu um erro: quando se tem uma informação relevante, o primeiro dever de cidadão de um jornalista livre, pesados os seus direitos e responsabilidades, é para com os seus leitores. Ele deveria ter publicado a informação, que lhe veio, disse-me depois, por um seu camarada, diretamente da investigação, liderada pelo juiz Carlos Alexandre e pelo procurador Rosário Teixeira. Erro maior, criminoso, é ser verdade essa possibilidade: que a fuga de informação veio dos agentes da justiça, ou seja, de onde menos podemos admitir que se cometam crimes de violação do segredo de justiça.»


No comunicado, a PGR não esclareceu se abriu inquérito à fuga de informação.