O PSD defendeu esta sexta-feira que o país “não pode andar para trás” nas “conquistas dos últimos tempos”, e avisou o Governo de que confrontará o executivo com “as escolhas que coloquem o futuro dos portugueses em risco”.

Na reação à mensagem de Ano Novo do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva – a última da sua presidência –, o secretário-geral do Partido Social Democrata (PSD), José Matos Rosa, defendeu as políticas desenvolvidas nos últimos quatro anos de governação, sob o comando da coligação PSD/CDS-PP, as quais, disse, colocaram Portugal no “bom caminho”, que “deve ser prosseguido” e não “descontinuado, revertido ou revogado”, sob pena de Portugal perder o “capital de confiança e credibilidade” conquistado.

“Portugal precisa de construir em cima daquilo que já fez, e não de andar para trás”, defendeu José Matos Rosa.


“Confrontaremos o Governo com as escolhas que coloquem o futuro dos portugueses em risco. E apresentaremos as nossas alternativas. Mas não deixaremos de exigir à nova maioria que apoia o governo a estabilidade e a coesão que prometeram dar ao país. Estas poucas semanas do novo governo já nos mostraram, infelizmente, que a maioria prometida é afinal frágil e inconstante. Mas é esta maioria frágil que terá de responder, perante os portugueses, pelas promessas que fez”, acrescentou.

Considerando que 2015 foi “um ano atípico na história da democracia portuguesa” – foi o ano em que, pela primeira vez na história do país, um partido que não venceu as eleições foi chamado a formar Governo – José Matos Rosa disse também que, “agora, é tempo de olhar em frente”.

“O compromisso que o PSD hoje aqui faz com os portugueses é o compromisso da confiança. Os portugueses podem contar connosco para colocar sempre o interesse nacional acima das ambições partidárias e pessoais, seja em que circunstância for. Teremos sempre uma atitude responsável e construtiva, tentando superar-nos a todos os níveis.”


Na mensagem que terminou a desejar “um ano mais próspero para todos”, o secretário-geral do PSD começou por felicitar o presidente da República em final de mandato, afirmando que contribuiu para “unir e nunca dividir os portugueses, deixando um legado honroso”.

“É justo dizer que não teria sido possível ultrapassar as dificuldades maiores que sentimos sem a magistratura serena e influente do atual Presidente da República”, disse.

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, afirmou esta sexta-feira que se vive um tempo de incerteza e que há um modelo político, económico e social a defender, que é aquele que vigorou nas últimas décadas.

Na sua última mensagem de Ano Novo como chefe de Estado, Cavaco Silva considerou que a sociedade civil portuguesa "tem por adquiridos os princípios da liberdade e da democracia, identifica-se com os valores civilizacionais do Ocidente e com o modelo de desenvolvimento económico e social da Europa".

Mais à frente, o Presidente da República acrescentou: "Vivemos um tempo de incerteza. Temos o dever de defender o modelo político, económico e social que, ao longo de décadas, nos trouxe paz, desenvolvimento e justiça".


CDS-PP diz que “modelo que trouxe progresso não pode ser posto em risco”


O CDS-PP, por sua vez, considerou que o modelo que "trouxe progresso à Europa nas últimas décadas não pode ser posto em risco em Portugal", referindo que o Governo PS "depende" de uma esquerda que "não defende muitos destes valores".

"O Presidente da República vincou a defesa do modelo político económico e social que trouxe progresso à Europa. Foram as empresas, a concertação social, foi o aprofundamento da economia de mercado que fizeram o progresso da Europa, não foi a utopia, o isolamento ou o coletivismo ou a desordem", disse Nuno Melo.


O dirigente do CDS-PP salientou ser "conveniente" recordar que a "esquerda à esquerda do PS, que por sinal governa em minoria, não defende muitos destes valores europeus".

Referindo-se a partidos como o PCP e o Bloco de Esquerda, Nuno Melo enumerou que "essa esquerda rejeita o euro, o Tratado Orçamental, as virtudes da economia social de mercado, a NATO".

"E até por isso, e porque o Partido Socialista é que governa mas depende desta esquerda que rejeita tudo isto, há muita importância nesta nota. De facto, o modelo político e económico e social que trouxe progresso à Europa nas últimas décadas não pode ser posto em risco também em Portugal", vincou o também eurodeputado.

Nuno Melo destacou também a nota de Cavaco Silva sobre "o Portugal real", falando do "Portugal dos empresários, dos empreendedores, dos inovadores, dos cientistas".

"O Portugal que muitas vezes não tem voz e que normalmente não é tido em conta numa utopia à esquerda que acha que o país se faz de proclamações revolucionárias."


O dirigente do CDS-PP concluiu com a garantia de que "em 2016, o CDS assegurará um combate político firme que defende os valores europeus, que defende a responsabilidade intergeracional, a economia de mercado, a iniciativa privada", mantendo-se "o partido interventivo que tem sido".

Na sua última mensagem de Ano Novo como chefe de Estado, Cavaco Silva considerou que a sociedade civil portuguesa "tem por adquiridos os princípios da liberdade e da democracia, identifica-se com os valores civilizacionais do Ocidente e com o modelo de desenvolvimento económico e social da Europa".

O Presidente da República elogiou "o país real" que disse ter conhecido de perto nos últimos dez anos, mas que considerou ser desconhecido por muitos políticos e subvalorizado, e declarou-se confiante na "ambição patriótica" dos portugueses.