O PSD criticou, esta segunda-feira, a atitude «especialmente censurável» do PS em «esconder-se atrás de críticas» e não apresentar medidas ou mostrar-se disponível para abordar a reforma do Estado.

«Quando chega à altura de apurar o que tem de ser mudado e o que é necessário alterar para que o futuro do país e dos portugueses seja mais sustentável e aquilo do que exigimos e merecemos, nunca estão disponíveis para nada. E isso é especialmente censurável num partido como o PS, que tem responsabilidades específicas na governação ao longo dos 40 anos que levamos de democracia e aspira legitimamente a voltar a governar», disse José Matos Correia, vice-presidente do PSD.

O social-democrata integrou uma delegação do partido que se reuniu no parlamento com membros do Governo, com o vice-primeiro-ministro Paulo Portas à cabeça, sobre a reforma do Estado.

Insistindo nas críticas ao PS, Matos Correia lamentou que «sempre que se pede» aos socialistas «algum contributo para alguma medida», o PS «esconde-se atrás de criticas, subterfúgios, chavões e frases feitas e nunca está disponível para rigorosamente nada».

«É uma manifestação de responsabilidade estar disponível para esse mesmo debate. Registamos que os parceiros sociais o digam publicamente, registamos uma vez mais a disponibilidade registada pelo Governo. (...) E registamos também que infelizmente há quem se ponha de fora deste esforço», sublinhou o vice-presidente laranja.

A reforma do Estado, advertiu ainda, «é um processo contínuo» que «tem de permanecer e perdurar para além da troika».

«Temos também de discutir, não porque a troika nos impõe mas porque é necessário reformar o Estado, os termos e condições dessa reforma. Tendo a noção clara de que estamos a falar de medidas e projetos cujos prazo de implementação ultrapassa e muito o espaço que resta desta legislatura ou mesmo da próxima», reconheceu José Matos Correia.

Questionado sobre o tema das pensões e da segurança social, nomeadamente sobre a sua sustentabilidade no futuro, o social-democrata reiterou que não há decisões tomadas sobre a matéria pediu «contenção» e «sentido de equilíbrio» à oposição.

«Não é bonito passar a vida a chamar mentirosos aos outros e não é assim que chegaremos a lado nenhum no diálogo político em Portugal», disse Matos Correia.

O encontro de hoje foi promovido pelo vice-primeiro-ministro Paulo Portas, que se fez acompanhar pelo ministro da Presidência, Luís Marques Guedes, e pela sua subsecretária de Estado adjunta, Vânia Dias da Silva.

Foram ouvidos esta manhã praticamente todos os partidos com assento parlamentar, com exceção do partido ecologista Os Verdes, cuja reunião com o Governo decorrerá na terça-feira.

O Governo não prestou declarações à comunicação social no final da ronda de encontros de hoje.