A direção do PSD considera que as propostas apresentadas esta terça-feira por um grupo de trabalho socialista já foram idealizadas por José Sócrates, na «mesma folha de cálculo». Por isso, segundo Matos Correia, fica agora «uma sensação de regresso ao passado».
 

«Vale a pena recordar que, pouco antes das eleições de 2009, o PS prometeu mundos e fundos, prometeu aumentar salários e pensões sociais e, com isso, gerar crescimento. Todos sabemos o que sucedeu a seguir».

«Em 2009 a desculpa foi que era preciso gastar mais para que o país pudesse combater a crise. Agora a desculpa é que pretende acabar com a austeridade. A desculpa é, portanto, a mesma e a atitude é idêntica».


O vice-presidente do PSD, José Matos Correia, acusa António Costa de querer gastar o dinheiro que não há, condenado em particular a intenção de «deixar cair a diminuição do IRC», mas de resto escusou-se a comentar medidas em concreto.

«Gastar o que não temos e no futuro os portugueses pagarão a conta. Troca o certo pelo incerto. Corta na receita e aumenta a despesa e tem o palpite que as coisas se resolverão por si só. É caso para dizer que se trata do programa do “logo se vê”».


O PSD considerou ainda que o cenário macroeconómico apresentado pelo PS «não é credível e não é alternativa real», e acusou os socialistas de prometerem «as mesmas facilidades» que em 2011 «levaram o país à bancarrota».
 

«Se acreditássemos que o caminho alternativo ou pseudoalternativo que o PS agora propõe fosse fazível, tê-lo-íamos proposto. O caminho do PS não é credível, não é alternativa real. E não é por acaso que vai ao arrepio de tudo aquilo que tem sido sugerido por todas as instituições internacionais».


O social-democrata argumentou que, «se o caminho miraculoso que o PS descobriu tivesse pés para andar, não havia nos países da Europa comunitária a tendência que tem vindo a ser seguida do ponto de vista da consolidação orçamental e da sustentabilidade», e recomendou uma partilha de ideias com os socialistas franceses: «Se o PS encontrou um remédio miraculoso, que o sugira também ao senhor Hollande e ao senhor Valls».

Matos Correia frisou que o PSD dá por adquirido que o PS vai assumir no seu programa eleitoral as medidas hoje apresentadas, «senão está a brincar com os portugueses».
 

«No que diz respeito ao detalhe das medidas, é óbvio que eu não vou aqui antecipar o que é o programa do PSD que está a ser preparado».


Depois, questionado se há alguma medida proposta pelo PS com que o PSD concorde, ou que rejeite em absoluto, disse: «Não tive, como calcularão, oportunidade de ler o documento e, portanto, não vou em detalhe entrar nesses comentários. O que faço em nome do PSD é uma avaliação geral daquilo para que aponta a proposta deste grupo de trabalho. E essa orientação geral é claramente rejeitada».

Contudo, Matos Correia fez questão de voltar a criticar a decisão do PS de se desvincular da redução gradual do IRC, sustentando que «esse é um aspeto fundamental», pois «não há nenhum país que consiga crescer em termos sustentáveis e em termos rápidos se a carga fiscal sobre as empresas for aquela que é em Portugal».