O deputado regional madeirense do PTP, José Manuel Coelho, desfraldou, esta sexta-feira, uma bandeira do Estado Islâmico numa cerimónia que contou com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa.

José Manuel Coelho aproveitou a presença do Presidente da República nas celebrações dos 40 anos da autonomia regional, no Parlamento da Madeira, para criticar os tribunais.

“Exercendo o meu direito à resistência e à denúncia, e na defesa da liberdade e dos direitos cívicos do meu povo, vou usar esta bandeira do Estado Islâmico, como um grito de alerta, como uma chamada de atenção para o estado calamitoso do Ministério Público e dos tribunais no nosso país”, afirmou na ocasião José Manuel Coelho. 

O deputado do PTP declarou, ainda, que a “autonomia foi tomada de assalto pelo PSD num longo reinado de 37 anos: foram anos de muitas obras públicas, mas também de muita corrupção”.

José Manuel Coelho considerou, por outro lado, que a justiça na Madeira “é uma farsa e não há liberdade de expressão”.

Protestando pelo facto de ter sido condenado em vário processos judiciais pelos crimes de difamação, que têm resultado em penhoras do seu vencimento, Coelho argumentou: “Se o Presidente angolano tivesse processado o ativista Luaty Beirão por calúnia e difamação e retirado todos os seus bens em vez de prendê-lo, com certeza não tinha sido alvo da censura da comunidade internacional”.

O deputado madeirense apelou a Marcelo Rebelo de Sousa que “use a sua magistratura de influência” para “libertar destes juízes fundamentalistas, jiadistas camuflados, que oprimem e levam o país rumo ao obscurantismo”.

O Presidente da República já comentou o sucedido. Marcelo Rebelo de Sousa fez a defesa da Constituição, que permite a diversidade de opiniões e a "criatividade" de manifestações como a do deputado local do PTP.

"Este parlamento [da Madeira] é porventura o mais plural, mais diversificado do ponto de vista de opiniões em Portugal. Ainda mais que o parlamento nacional, mais que o parlamento regional açoriano", declarou o chefe de Estado no Funchal, no segundo de três dias de visita oficial à região.

Marcelo falava aos jornalistas num almoço na Quinta Vigia, residência oficial do presidente do Governo regional da Madeira.

"Quando votei a Constituição em 1976, votei uma Constituição para ser aberta e ecuménica, [e com] as manifestações mais criativas. Portanto, a nossa democracia tem acompanhado essa criatividade, o que quer dizer que valeu a pena votar a Constituição", sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa.