José Sócrates “ficou muito satisfeito com a prestação” de António Costa no debate, desta quarta-feira, com Passos Coelho e reagiu “com ironia” quando o atual primeiro-ministro se referia ao seu Governo para atacar o secretário-geral do PS.

A garantia foi deixada, em entrevista para a 21ª hora, por José Lello, deputado socialista e amigo de José Sócrates, que ontem acompanhou o debate na casa do ex-primeiro-ministro num jantar na companhia de outros amigos. José Lello descreveu o ex-primeiro-ministro como “dos mais intervenientes” em termos de comentários ao debate, sempre “feliz” com o desempenho do candidato do PS.
 

“[Sócrates] era dos mais atentos, dos mais intervenientes e entusiastas. [Ficou] muito satisfeito com a prestação de António Costa e [estava] sempre [a fazer] considerações. [Esteve] muito ativo, recordando os tempos em que estava nessa função de debater num plano eleitoral, e, portanto, muito feliz.”


Para José Sócrates, António Costa esteve a um “nível superior” no que toca ao discurso, e conseguiu ultrapassar este “desafio” da campanha eleitoral com distinção. José Lello disse que Sócrates não manifestou saudades de estar na posição de Costa, ainda que seja natural que se revisse naquele lugar.

“Por graça, acho que ele até o catalogou, a um nível mais elevado que nós. (…) [Se gostava de estar ali] isso não referiu. Mas naturalmente reviu-se nesses tempos e [daí] o seu entusiasmo ao ver que António Costa estava, efetivamente, a cumprir o seu debate com uma prestação extremamente positiva. Ele era, naturalmente, dos mais entusiastas, sendo certo que todos nós estávamos a torcer para que o líder do PS conseguisse ultrapassar [este] desafio muito grande da campanha eleitoral.”

Sobre os ataques de Passos Coelho a António Costa tendo por base os “erros” do último governo socialista, que liderou, José Sócrates não respondeu de forma negativa. Como explicou José Lello, o ex-primeiro-ministro percebeu, desde logo, que esse caminho só seria prejudicial a Passos Coelho.

“É curioso que [achei] que ele tivesse uma reação extremamente negativa. Mas por vezes respondia com ironia às considerações que Passos Coelho fazia sobre ele, tendo noção que a insistência [do PM] à sua figura só lhe poderia ser negativa. Por isso ao contrário do que seria expectável, no feitio muito interveniente do José Sócrates, ele até reagiu com grande ironia, com graças, e com expectativa que não fosse o caminho mais adequado para o vencimento das opiniões de Passos Coelho”.


Já sobre o processo que envolve José Sócrates, que o mantém em prisão domiciliária, José Lello disse que durante o jantar esse foi um tema que foi evitado. Porém, garante que Sócrates mantém uma atitude positiva, com esperança que o processo tenha um desfecho “positivo”.

“Apesar de estar lá o advogado, nós não abordamos claramente essa temática. Mas o que posso ver é que há um sentido de grande expectativa, de otimismo, em relação ao futuro [e] ao desenrolar do processo. Depois de uma investigação que já vem de 2013, ainda não há uma acusação formal, nem absolutamente nada que possa perspetivar outra solução que não seja muito positiva para ele. (…) Há ali um clima de grande otimismo e muito positivo.”

José Lello disse que o tempo que Sócrates passou no Estabelecimento Prisional de Évora o marcou inevitavelmente, mas garantiu que, agora, em casa, o ex-primeiro-ministro está de novo mais entusiasmado e com um “sentido positivo para encarar a vida”.

 “A prisão é uma coisa terrível. É uma coisa que marca imenso, de grande sacrifício e de grande sofrimento, e [em casa], pelo menos, tem oportunidade de manter um convívio permanente com os seus amigos, que ele sempre cultivou sempre. (…) Isso dá-lhe um grande entusiasmo, dá-lhe um sentido positivo de encarar a vida, dá-lhe alegria. (…) Acho que está determinado, [como] sempre esteve, com uma atitude muito positiva, e isso é bom para encarar as fases subsequentes que todos esperamos que sejam positivas para ele.”


No que toca ao ambiente do jantar, o deputado socialista referiu, apenas, que se tratou de um encontro de bons amigos que se reuniram “ansiosos” para assistir ao debate, e deixaram a casa de Sócrates satisfeitos com a vitória “clara” de António Costa.

“Foi sobretudo um ambiente de grande amizade, um conjunto de amigos que há muitíssimo tempo mantêm uma relação de estreita afetividade entre eles e, particularmente, com José Sócrates. Foi um ambiente positivo, mas também ansioso, porque estávamos todos na expectativa de como ia decorrer o debate, e saímos felizes, na medida de que, de facto, o dr. António Costa teve uma excelente prestação e ganhou claramente o debate.”