O vice-presidente da bancada do PS José Junqueiro acusou hoje o Governo de falar a duas vozes e reiterou a oposição dos socialistas à convergência das pensões por considerar que representará uma «tragédia social».

«Estamos a iniciar a terceira sessão legislativa com um governo que falhou todas as metas, defraudou todas as expetativas e que, no dia em que também inicia negociações formais com a troika, não se entende quanto ao défice ou quanto ao programa cautelar», afirmou José Junqueiro.

O deputado intervinha, pela bancada do PS, no período de declarações políticas no Parlamento, que «inaugura» hoje a terceira sessão legislativa da XII legislatura.

Junqueiro acusou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, de manterem «dois tons, duas vozes e dois discursos», revelando «dislexia política».

Para o deputado do PS, «teimosia, preconceito e cegueira ideológica» é o que «também define o desnorte da coligação», considerando que é preciso «arrepiar caminho».

O deputado considerou que «se perdeu o rasto» à «dita reforma do Estado», frisando que «se percebeu agora que não havia nenhum outro objetivo se não cortar» e «atrair o PS para os cortes».

Referindo-se à proposta para a convergência das pensões da Caixa Geral de Aposentações com a Segurança Social, José Junqueiro considerou que se trata de «um escândalo que, mais uma vez, sacrifica os mesmos do costume, os mais pobres, os funcionários públicos e os aposentados».

«Como já avisou recentemente [a ex-líder do PSD] Manuela Ferreira Leite, dentro de meses chegará a vez dos reformados da Segurança Social. Não, o PS nunca será parte dessa insensibilidade e tragédia social», declarou.

Num pedido de esclarecimento, o social-democrata Luís Menezes acusou o PS de adotar uma «estratégia de terror» relativamente à medida.

Luís Menezes frisou que apenas 10 por cento dos pensionistas da Caixa Geral de Aposentações serão afetados pelos cortes, referindo que em 4 milhões são afetados apenas cerca de 300 mil.

Esta reforma é feita para impedir «que a Segurança Social entre em implosão», justificou o deputado do PSD, frisando que a convergência das pensões está prevista na lei desde 1984 e é «necessária ao equilíbrio do sistema».

«Tanto é que a primeira reforma de materialização dessa convergência foi feita pelo PS, ainda que de forma mitigada», disse.

Do lado do CDS-PP, o deputado João Almeida acusou o PS de «falta de credibilidade» e de ser incapaz «de um discurso político sério».

«O PS, sem plano de assistência e sem troika criou o regime de mobilidade, criou a convergência entre a CGA e a Segurança Social», sublinhou.