O deputado do PS José Junqueiro disse hoje que os números da execução orçamental de janeiro são «muito preocupantes», nomeadamente pelos montantes registados »a partir do rendimento das pessoas».

«Percebemos que há uma subida grande da receita fiscal, e se podemos até entender que sob o ponto de vista do IVA tal seja positivo, o que verificamos é que o aumento de 15% do IRS é o aumento a partir do rendimento das pessoas», assinalou o deputado socialista em declarações aos jornalistas no parlamento.

Os números da Direção-Geral do Orçamento indicam que as administrações públicas registaram um saldo positivo de 638,7 milhões de euros em janeiro.

«Para a melhoria do resultado da execução orçamental contribuiu, sobretudo, o comportamento da receita fiscal, com destaque para os impostos diretos, e a antecipação, para janeiro de 2013, da contribuição mensal para o orçamento da União Europeia relativa a fevereiro desse ano», justifica a DGO.

José Junqueiro frisa que «o país não está melhor porque as pessoas estão pior», chamando o deputado a atenção para o facto de ter havido em janeiro um aumento no número de casais desempregados, embora tenham existido menos subsídios de desemprego pagos.

Tal cenário, advertiu o parlamentar do PS, «quer dizer que a maioria absoluta dos desempregados não tem qualquer apoio da parte do Estado».

O socialista instou ainda o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, a proclamar «menos propaganda» e a falar «mais verdade», procurando o partido liderado por António José Seguro saber «quando e onde» serão feitos mais cortes orçamentais, e também se os mesmos se darão «antes ou depois das eleições» europeias de maio.

PCP diz que Governo fez «batota fiscal»

Já o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, acusou o Governo de fazer «batota fiscal» com os dados da execução orçamental de janeiro, reclamando o comunista que os números de tal mês em 2013 e 2014 são «incomparáveis».

«Em janeiro de 2013 ainda não tinham entrado em vigor as medidas do enorme aumento de impostos com que o Governo carregou o rendimento dos portugueses», alertou João Oliveira em declarações aos jornalistas no parlamento.

Dizendo que comparar janeiro de 2013 com janeiro de 2014 é «batota fiscal», o comunista é perentório nas críticas ao executivo liderado por Pedro Passos Coelho: «O Governo procura regozijar-se com o roubo do rendimento dos trabalhadores, por via do IRS e de outros impostos, para deixar a mensagem de recuperação económica», declarou.

Para o PCP, o que a execução orçamental revela é que o Governo «recorre a tudo» para «fazer a propaganda que quer», mais a mais em período prévio a um sufrágio, no caso as europeias de maio.