O antigo segurança José Esteves disse ter sido vítima de perseguição da Polícia Judiciária a partir do momento em que passou a defender publicamente que a tragédia de Camarate foi um atentado.

«Camarate foi isto, um atentado encoberto pela Polícia Judiciária. A Polícia Judiciária é uma polícia bandida e contumaz porque encobriu e nunca respondeu por todos os crimes que tem cometido», afirmou José Esteves, nesta quinta-feira, no final da audição, à porta fechada, na X Comissão de inquérito à tragédia de Camarate.

Em declarações à agência Lusa, José Esteves contou que transmitiu aos deputados a convicção de que «o atentado de Camarate foi encoberto pela Polícia Judiciária», apontando o nome de alguns agentes que acusa de o terem ameaçado com a prisão ao longo dos anos, caso não dissesse que «Camarate tinha sido um acidente«.

Num depoimento entregue aos deputados, José Esteves afirmou que fabricou uma bomba para explodir no avião que caiu em Camarate a 4 de dezembro de 1980, mas está convicto de que não foi o engenho que fabricou que fez cair o Cessna.

José Esteves sugeriu uma acareação com Farinha Simões, que publicou na Internet um depoimento em que assume ter participado na organização do atentado, e foi chamado a prestar depoimento na X comissão de inquérito, mas recusou responder aos deputados por a audição ser à porta fechada.

«Sugiro primeiro que ele fale e depois uma acareação. Fernando Farinha Simões fez de mim um bode expiatório e meteu-me nesta saga de Camarate. Ele tem muito mais a dizer», garantiu.

No depoimento escrito, José Esteves já tinha defendido que foi utilizado «como bode expiatório desta operação para o caso de ela correr mal e os seus autores serem presos».

A audição de José Esteves, que terminou quinta-feira à noite ao fim de quatro horas, vai prosseguir na próxima terça-feira.

A explosão da aeronave Cessna, num bairro da freguesia de Camarate, a 4 de Dezembro de 1980, provocou a morte do então primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro, de Snu Abecassis, do ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa, do chefe de gabinete do primeiro-ministro António Patrício Gouveia, assim como dos dois pilotos do aparelho.

O caso nunca chegou a ser julgado, perdurando ainda duas teses na opinião pública: Para uns foi um acidente, para outros um atentado.