A participação nas eleições europeias continuam muito baixos entre os portugueses no estrangeiro, o que significa que a diáspora não tem valorizado muito este ato eleitoral e o parlamento europeu, disse esta segunda-feira o secretário de Estado das Comunidades.

«Continuamos a ter níveis de participação muito baixos, o que significa que nas nossas comunidades não se tem valorizado muito este ato eleitoral, nomeadamente o próprio parlamento europeu», declarou à Lusa José Cesário.

A abstenção nas comunidades portuguesas a residir no estrangeiro nas eleições para o Parlamento Europeu foi de 98,11 por cento, superior à de 2009 (97,8%), segundo dados provisórios da Direção Geral da Administração Interna (DGAI).

Apenas 1,89% dos portugueses inscritos no estrangeiro (221.753) participaram nas eleições, de acordo com os resultados provisórios, quando faltam apurar os resultados em 15 dos 71 consulados.

De acordo com Cesário, «o número de votantes é idêntico, o que se passa é que a taxa de abstenção aumenta porque há mais recenseados».

«Temos que perceber que muitos destas comunidades estão muito distantes deste órgão (parlamento europeu)», sublinhou o secretário de Estado.

Entretanto, José Cesário explicou que o número de votantes só não foi maior porque em certos países da Europa, especialmente em França, muitos portugueses foram recenseados localmente e votaram pelos países de acolhimento.

«Ao recensearem-se nos municípios franceses para as eleições municipais ficaram, muitos deles, automaticamente recenseados para as eleições europeias. Neste caso, são umas centenas largas, pelo menos tanto quanto eu identifiquei», exemplificou o secretário de Estado.

José Cesário disse ainda que podemos encontrar, surpreendentemente, níveis de participação mais altos em comunidades muito distantes de Portugal, como na África do Sul e em algumas zonas do Brasil, do que na própria Europa.

¿Isto tem a ver com o fenómeno ao qual me referi anteriormente, que resulta da transferência para os municípios locais, nomeadamente em França, do direito de voto de muitas pessoas que continuam recenseadas em Portugal e que votam nas legislativas e presidenciais, mas não votam para o parlamento europeu¿, sublinhou.

«Em geral, há um défice de participação, cuja redução implica num esforço coletivo», referiu ainda.

Para vencer esta baixa participação nas comunidades, José Cesário considerou que é necessário utilizar a via política e os deputados europeus «têm de demonstrar a esta gente que também são seus eleitores e também fazem parte do seu universo de preocupações».

Perto de 9,7 milhões de eleitores foram no domingo chamados a eleger os 21 deputados portugueses no Parlamento Europeu, menos um do que há cinco anos.

O PS é o partido com mais mandatos nas eleições europeias de domingo depois de apurados os resultados em todas as 3.092 freguesias de Portugal e em 54 dos 71 consulados, segundo dados da Direção Geral de Administração Interna (DGAI).

Os resultados indicam sete deputados ( 31,45%) para o PS, seis (27,71%) para a Aliança Portugal (PSD/CDS-PP), dois (12,68%) para a CDU (PCP-PEV), um (7,15%) para o Partido da Terra (MPT) e outro (4,56%) para a Bloco de Esquerda, faltando atribuir quatro dos 21 mandatos de Portugal no Parlamento Europeu, que dependem dos resultados no estrangeiro.