Por: tvi24 | 8- 2- 2012 15: 40
Um movimento cívico na Suíça acusou o secretário de Estado das Comunidades de insinuar que há irregularidades no número
de alunos que frequentam os cursos de língua portuguesa, acusações que José Cesário negou veementemente, noticia a Lusa.
O
Movimento Cívico de Defesa do Ensino da Língua Portuguesa encontrou-se com o secretário de Estado das Comunidades no passado
dia 2 de Fevereiro, no consulado geral de Zurique.
«Foi-lhe questionado [a José Cesário] o que está a ser preparado
para o ano lectivo 2012/2013 e nós dissemos que o número de alunos superaria os mil sem aulas, só aqui no cantão de Zurique»,
disse Domingos Pereira, um dos responsáveis do movimento cívico, à Lusa.
«O senhor secretário pôs em causa a competência
e a seriedade dos professores e das autoridades suíças, dizendo que teriam que averiguar esses números e, para averiguar esses
números, todas as crianças teriam que fazer um certificado ao final do ano», disse Domingos Pereira, que integra também a
associação de pais de Zurique.
Segundo o movimento, José Cesário insinua que, «uns forjavam [autoridades suíças e
professores] os números dos alunos a frequentar os cursos de língua materna com a cumplicidade dos outros».
«Esses
cursos de língua materna são reconhecidos pela Federação Helvética», indicou ainda Domingos Pereira.
O responsável
referiu que há 32 escolas em Zurique à espera de 700 alunos, que estão sem aulas, e as autoridades suíças não têm conseguido
informações do Governo português.
Por seu lado, em declarações à Lusa, o secretário de Estado das Comunidades negou
qualquer insinuação: «O que lhes foi dito foi o seguinte, é que nós vamos fazer a certificação das aprendizagens e só no momento
em que fizermos a certificação é que temos a certeza absoluta da frequência real dos nossos cursos».
«A certificação
do Estado português faz-se por outro motivo. A formação de língua portuguesa não é certificada, ou seja, nós damos a esses
60 mil alunos o ensino em língua portuguesa e depois não lhes passamos nenhum certificado disso», argumentou o governante.
Segundo
o secretário de Estado, «isso só é feito para o ensino do português como língua estrangeira e não para o ensino do português
como língua materna».
«O que vamos fazer, a partir de agora, é essa certificação, que é uma coisa que não se faz
e é inaceitável. É verdade que há cantões suíços que fazem, é verdade que em França se faz, é verdade que num ou outro sítio
se faz, mas em muitos sítios não», referiu José Cesário.
«Isto é para o nosso sistema educativo. Nós estamos a falar
de um subsector do ensino que pertence ao sistema educativo português e, ao nível do sistema educativo português, não há certificação.
Nós propomo-nos a fazer essa certificação e o que lhes disse é que, só nessa altura, é que eu tenho a certeza absoluta dos
níveis de frequência», afirmou José Cesário.
Segundo o secretário de Estado, foi dito também que, por exemplo, «em
França, as próprias autoridades francesas dão informações dos níveis de frequência, que em alguns casos não correspondem às
inscrições iniciais».
De acordo com o movimento cívico suíço, actualmente 3.000 crianças estão sem aulas na Suíça
depois dos cortes de professores de Ensino do Português no Estrangeiro (EPE) efectuado pelo Governo, sendo que em Dezembro
20 professores viram as suas comissões de serviço canceladas.
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