Rui Rio, em entrevista ao "Jornal das 8" da TVI, esta terça-feira, voltou a recusar pronunciar-se sobre o próximo orçamento de Estado e sobre o sentido de voto do PSD, insistindo não poder dizer ser "contra ou a favor do que nem existe". Ainda assim, assumiu esperar que o PS e os parceiros à esquerda venham fazer passar a lei.

O que é lógico é que eles consigam fazer o orçamento e o consigam aprovar e acho que é isso que vai acontecer. Já não é uma questão de projeto nacional. É uma questão de eles salvarem a pele e vão acabar por se entender", afirmou Rui Rio.

Considerando não ser "credibilizador da política ser contra, só porque algo vem do outro lado", o presidente do PSD avisou, contudo, que "se o orçamento chumbasse, em bom rigor, o dr. António Costa teria de viabilizar um Governo do PSD e do CDS".

Ele não disse em 2015 que chumbou o Governo do dr. Passos Coelho porque conseguia uma maioria à esquerda? Se agora não  conseguisse, em coerência, devia apoiar um Governo do PSD e do CDS. Porque o PSD foi quem foi mais votado em 2015", sustentou Rio.

Nas malhas do próximo Orçamento, o líder social-democrata considera ainda que a superação do diferendo existente com os professores será "a moeda de troca para o orçamento passar". Até porque, adivinha Rio, "o Governo já tem solução".

A questão dos professores é justa. São uma classe profissional imporantatíssima para o desenvolvimento do país", afirmou Rui Rio, acrescentando que, caso tivesse de lidar com o problema, "dizendo que não posso por o Orçamento em causa, teria de se arranjar uma solução intermédia - que não poderá ser a dos sindicatos - e pô-la no Orçamento de 2019".

"O PS é muito mais a cigarra"

Desafiado na entrevista a expor o que faria, caso estivesse no poder, Rui Rio foi criticando a política do Executivo, assumindo que atuaria de forma diferente do Governo em várias situações.

Começando pela política orçamental, teria sido muito mais comedido. Tinha apostado muito mais no futuro e menos no presente", afirmou Rui Rio.

Para o presidente do PSD, "este governo tem uma folgazinha e distribui a folga automaticamente", o que pode ser perigoso, porque "quando o mundo tiver uma recessão, Portugal não estará tão bem preparado" para a enfrentar.

O primeiro-ministro disse que o PS não é a carochinha. Eu acho que ele tem razão. O PS é muito mais a cigarra", ilustrou Rui Rio, a atuação do atual Governo.

Advogando que, se governasse, "teria feito de forma mais cadenciada o aproveitamento do crescimento económico", o líder social-democrata criticou o executivo pelo modelo económico.

O modelo económico tem de ser baseado nas exportações e no investimento. Não é no consumo. O consumo foi um erro em que apostámos no passado e em que este Governo apostou", frisou Rio, acentuando que "na zona Euro, somos o quarto pior. Crescemos abaixo da média comunitária. Portugal é dos países mais pobres da Europa e cada ano que passa fica ainda mais pobre".

"As 35 horas são uma irresponsabilidade”

Exemplificando o que considera má postura do atual Exceutivo, Rui Rio considerou que a reposição das 35 horas de trabalho semanl na Função Pública foram "uma irresponsabilidade", que "deriva da solução política encontrada em 2015, em que o PS teve de fazer essa promessa e agora tem de cumpri-la".

Foi uma irresponsabilidade completa! O Governo não preparou minimamente a adminstração pública para essa resolução e devi saber se tinha condições para o fazer. Lançou o caos", afirmou Rio, assinalando que, por exemplo no setor da Saúde, "é simpático, mas é antipático para quem está doente e precisa de recorrer aos serviços".

Jà sobre o salário mínimo e o prometido aumento, Rui Rio, considerando que o mesmo "é sempre baixo", acredita que "os 600 euros  estão mais ou menos assumidos", criticando, contudo, não se "apostar na competiividade da nossa economia e nas políticas públicas que facilitem o caminho às empresas"

Temos que forçar sempre um bocadinho o salário mínimo acima da inflação, para forçar também, as empresas a investirem e a criarem mais valor acrescentado. Mas temos de ser muito responsáveis".

"Tenho de fazer uma corrida. Não um sprint"

Sobre a situação política, incluindo a sua afirmação interna entre os sociais-democratas, Rui Rio assumiu necessitar de tempo para atingir os seus objetivos, descartando, contudo, qualquer cenário de demissão, mesmo que as próxiams eleições Europeias corram mal ao PSD.

Fui corredor de 100 metros quando tinha 18, 19, 20 anos. Agora já não tenho essa idade. Também não sou maratonista. Mas tenho de fazer uma corrida. Não um sprint", exemplificou o presidente do PSD, defendendo ser a "credibilidade".

O líder da oposição tem de conseguir uma coisa para ganhar eleições. Chama-se credibilidade. Que é o somatório da seriedade, da coragem e da competência. Se conseguir ser reconhecido como corajoso, e acho que o sou, e como sério, a competência tem a ver com aquilo que estou a construir, que passa por uma equipa setorialmente constituída", expos Rui Rio.

Para Rio, é assim "fundamental nas Europeias, o PSD subir e depois preferencialmente ganhar", mesmo reconhecendo que "o PSD está a uma distância muito grande", dados os resultados do último sufrágio, em que só elegeu seis eurodeputados. Ainda assim, o presidente do PSD avisa que mesmo um mau resultado "não compromete a permanência".

Estava o partido desgraçado", afirmou Rio, descartando qualquer possibilidade de abandonar a presidência: "Isso não está minimamente em causa. Agora, o PSD teve um resultado fraco. Se tiver um resultado ainda mais fraco, é mau".

Questionado sobre Santna Lopes e a intenção publicamente desvalada de o seu adversário no congresso abandonar o PSD, Rui Rio confessou não ter recebido qualquer carta de desvinculação: "A mim ainda não mandou e ao secretário-geral, penso que também não".

Não fico muito admirado, porque na própria campanha ele referiu isso. O Pedro Santana Lopes tem um pouco essa ideia, esse fascínio de criar um partido à direita do PSD", referiu Rui Rio, optando que, por seu turno, o "crescimento que estou à procura não é à direita, mas é ao centro, naqueles que votaram PS e não se reveem nesta aliança de governação, e na abstenção, que não vê alguém com credibilidade", concluiu.