O antigo Presidente da República Jorge Sampaio disse, na noite de sexta-feira, ser preciso ter esperança de que vai ser possível criar condições para que os jovens emigrados por força da crise regressem a Portugal.

Em declarações aos jornalistas no final da conferência de abertura do festival Literatura em Viagem, que decorre este fim de semana em Matosinhos e se estende a Lisboa na segunda-feira, Jorge Sampaio disse que “é bom que as possibilidades hoje abertas possam ser partilhadas e ter esperança de poder arranjar maneira de muitos [dos jovens emigrados] regressarem e outros serem polos da cultura”.

Momentos antes, durante a conferência, o antigo chefe de Estado havia sublinhado que o facto de ser português “foi sempre muito importante” nas suas viagens e nos seus contactos no estrangeiro, quer na Presidência da República, quer nos seus cargos a nível internacional.

“É por isso que não devemos estranhar a circunstância de as vezes que tentámos termos ganho a eleição para o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Não se faz por acaso”, afirmou Jorge Sampaio no salão nobre da Câmara Municipal de Matosinhos.


Durante uma palestra em que revisitou várias das viagens que fez ao longo da carreira, Sampaio relatou diversos episódios, desde o momento em que conheceu o aiatola do Irão à viagem até à Noruega na qual promoveu os vinhos nacionais.

Entre esses momentos, Sampaio assinalou a ida ao cabo da Boa Esperança, na África do Sul, onde o antigo Presidente da República se sentiu “muito orgulhoso de ser português”.

“Intelectualmente vim para trás 500 anos e pensei o que é que seria, qual era a sensação daquelas pequenas caravelas chegarem ali, darem a volta para o desconhecido, aquele pequeno povo, mas que afinal de contas tinha atrás de si ciência, astronomia, uma grande força”, referiu.