O ex-Presidente da República Jorge Sampaio considerou "um estímulo e uma responsabilidade" ter recebido o Prémio Mandela das Nações Unidas, mas destacou o seu envolvimento atual para minorar a "inimaginável" e dramática situação na Síria.

Jorge Sampaio falava esta quarta-feira aos jornalistas na sede do PS antes de participar num almoço com embaixadores lusófonos, depois de ter sido distinguido na segunda-feira com o Prémio Mandela das Nações Unidas, a par da oftalmologista da Namíbia, Helena Ddume.

Sobre este prémio criado no ano passado pela Assembleia Geral da ONU, para homenagear personalidades que se tenham dedicado a promover os ideais das Nações Unidas, Jorge Sampaio disse sentir-se "bastante honrado e feliz".

"O Prémio Mandela é um estímulo e também uma responsabilidade. Pela vida fora tenho tentado dar o melhor que sei e o melhor que posso em nome de várias causas ou valores, nas mais diversas funções e circunstâncias", referiu, antes de aludir ao seu percurso pessoal no período pós-presidencial, durante o qual já se envolveu na luta contra a tuberculose e na Aliança das Civilizações.

Neste contexto, Jorge Sampaio fez questão de salientar que, apesar de estar contente "e extremamente feliz" por ter sido distinguido com o Prémio Mandela - "essa grande personalidade que marca tão decisivamente a Humanidade em décadas de sofrimento e depois de libertação" - nunca buscou pessoalmente qualquer recompensa pelo seu trabalho aos mais diversos níveis.

Jorge Sampaio destacou então o seu envolvimento e responsabilidade na Plataforma de Emergência para os Estudantes Sírios, algo que considerou estar a "resultar bem, apesar da falta de verbas disponíveis para apoio".

"O que se passa atualmente na Síria é inimaginável: Atinge toda a gente, destruíram-se universidades e casas. Depois de ter terminado a minha atividade nas Nações Unidas, nesta pequena parte, confesso que é uma satisfação dedicar-me a este capítulo a favor de um auxílio de emergência para os estudantes universitários sírios, do qual depende o futuro do país. Lutamos para que esta geração de jovens sírios não seja uma geração perdida", frisou Jorge Sampaio.

Questionado sobre o processo que esteve na origem da sua escolha na primeira edição do Prémio Mandela, o antigo líder do PS e ex-Presidente da República referiu que a sua candidatura foi organizada pelo seu gabinete sem ele saber.

"Sei agora que tive uma resposta em 48 horas de mais de 300 entidades ou personalidades, nacionais ou estrangeiras que se associaram. Houve qualquer coisa como 200 concorrentes e, subitamente, cheguei ao meu gabinete e estava lá a comunicação das Nações Unidas. Portanto, foi uma completa surpresa", afirmou.

Interrogado sobre a sua reação ao facto de existir um reconhecimento internacional em relação ao seu papel político e social ao longo das últimas décadas, Jorge Sampaio respondeu: "Fiz o que pude, fiz o que era possível e necessário fazer".