O Parlamento aprovou, esta terça-feira, a audição do antigo Presidente da República Jorge Sampaio, do ex-Primeiro-Ministro, Durão Barroso, e dos antigos ministros, Paulo Portas e Martins da Cruz, sobre a guerra do Iraque.

A comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas discutiu um requerimento do PCP, que propunha a audição de Durão Barroso e Paulo Portas sobre as conclusões do relatório Chilcot, relativo ao envolvimento do Reino Unido na guerra do Iraque.

Estas audições foram aprovadas com os votos favoráveis do PS, PCP e Bloco de Esquerda, enquanto PSD e CDS-PP votaram contra.

Os deputados alargaram também as audições ao então chefe da diplomacia portuguesa Martins da Cruz e também ao ex-Presidente Jorge Sampaio.

O que dizia o requerimento do PCP

De acordo o requerimento do PCP, que deu entrada, na sexta-feira, na Assembleia da República, “o Relatório Chilcot, recentemente divulgado no Reino Unido, é perentório” ao afirmar que “as informações que indiciavam a existência de armas de destruição maciça no Iraque eram falsas”.

“Face às revelações agora conhecidas e à importância do conhecimento dos dados deste Relatório, torna-se imprescindível que a Assembleia da República e, especificamente, a Comissão dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas volte a discutir esta situação, ouvindo os ex-governantes portugueses para que dêem as explicações necessárias e sejam confrontados com as suas responsabilidades, nomeadamente por terem envolvido Portugal naquela guerra de agressão”, solicitavam os comunistas.

Por isso, o PCP disse que queria ouvir na referida comissão parlamentar o ex-primeiro-ministro, Durão Barroso, e o ex-ministro de Estado e da Defesa Nacional, Paulo Portas.

Para o PCP, “em Portugal, Durão Barroso e o seu Governo, com a realização da “cimeira da guerra” em território nacional e a cedência da Base das Lajes, foram corresponsáveis pela guerra no Iraque e pelos crimes cometidos contra o povo iraquiano”, tendo o então Executivo afrontado “a letra e o espírito da Constituição da República”.

O relatório Chilcot sobre o envolvimento do Reino Unido na Guerra do Iraque de 2003, publicado na passada quarta-feira, critica o então primeiro-ministro Tony Blair por implicar o país num conflito mal planeado, mal executado e legalmente questionável.

Tony Blair, afastado de cargos políticos na Grã-Bretanha, veio a público reagir ao relatório que levou sete anos para ser divulgado. Tony Blair “lamentou as vidas que se perderam no conflito”, e assume “todas as responsabilidades”, mas sublinha que sempre “agiu de boa fé”, de acordo com a BBC.