O antigo Presidente da República Jorge Sampaio apelou esta quinta-feira aos empresários portugueses para que dêem emprego a estudantes sírios que estão a terminar a sua educação em Portugal, destacando que "são pessoas muito dotadas".

Sampaio lançou, em 2013, a Plataforma Global de Apoio aos Estudantes Sírios, que já atribuiu 140 bolsas no ensino superior, em dez países, numa iniciativa que, afirmou, "foi um sucesso".

Cerca de 70 destes alunos participaram esta quinta-feira num encontro, em Lisboa, com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que se encontra em Portugal para uma visita de dois dias.

"A grande questão é encontrar emprego para aqueles que acabaram os seus estudos. Aproveito para fazer um apelo, porque estas pessoas são muito dotadas, do ponto de vista profissional. Há muita gente das tecnologias, da engenharia, arquitetura, computadores, robóticas, etc. Ainda por cima, falam inglês, português e árabe, isso pode ter virtualidades para o futuro muito grandes", destacou, em declarações aos jornalistas no final do encontro.

"Oxalá que os nossos empresários - alguns têm apoiado isto desde o início - estejam atentos a estas oportunidades que estão a surgir", disse.

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O programa teve 2.500 inscrições, mas, até ao momento, "só foi possível dar resposta a 140", descreveu o ex-Presidente, que admitiu que seja possível chegar a mais estudantes, no futuro.

"É preciso estar a alimentar este fundo constantemente. Vamos ver", mencionou.

A Plataforma conta com o apoio das universidades e politécnicos portugueses, mas também de empresas e da sociedade civil.

"Há centenas de milhares de jovens a fugir de conflitos e que precisam de proteção, seja da Síria, Iraque, Líbia, Iémen, Somália, Sudão do Sul, Eritreia, etc. Não podem ser abandonados, temos de responder às suas necessidades e de lhes proporcionar oportunidades académicas para garantir a criação de uma nova geração de líderes", defendeu Jorge Sampaio.

O antigo chefe de Estado acrescentou: "Nestes países destruídos pela guerra, temos de perguntar onde é que estará a próxima geração se não criarmos as condições para que ela seja educada".

Sampaio defendeu a criação de um mecanismo de resposta rápida para o ensino superior, com o apoio da comunidade internacional e das Nações Unidas.