O antigo Presidente da República Jorge Sampaio disse esta quarta-feira que as eleições europeias de maio são um momento para «fazer renascer a esperança» em Portugal, fazendo ainda uma grande defesa do Estado social.

«Este presente não pode ser o nosso futuro. Quarenta anos depois do 25 de Abril de 1974, a melhor maneira de o celebrarmos é usarmos as eleições europeias para fazer renascer a esperança e acreditar no futuro de Portugal e da Europa».

Sampaio falava na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, no segundo dia da conferência «A Ditadura Portuguesa - porque durou, porque acabou».

«Nada será conseguido nem com opções conservadoras nem com mais políticas neoliberais. Só um novo pacto europeu social-democrata e progressista permitirá redesenhar uma nova Europa, apta a encontrar respostas certas», advogou Jorge Sampaio.

O antigo chefe de Estado, que nunca se referiu a qualquer governo ou agente político, lamentou a «pobreza e desigualdades crescentes» em Portugal, declarando que «não há liberdade sem igualdade», pelo que a primeira está em risco.

O valor elevado da taxa de risco de pobreza em Portugal foi descrito por Sampaio como «profundamente chocante», e «a situação ainda seria pior se não fosse por um lado a solidariedade das famílias e das comunidades de apoio aos pobres e por outro lado o contributo da Segurança Social, o que mostra a importância do Estado social e das políticas de proteção social na luta contra a pobreza».