O PCP reiterou hoje que a solução para os problemas do país, nomeadamente no setor da educação, está na realização de eleições antecipadas, frisando que mais de 90 por cento dos professores sem vínculo ficaram no desemprego.

«Não temos por hábito exigir a demissão dos ministros, o problema com que a sociedade portuguesa se confronta é a política do Governo. O PCP há muito que vem colocando aos portugueses a necessidade de interromper esta política e exigir eleições antecipadas», disse aos jornalistas Jorge Pires, membro da Comissão Política do Comité Central.

No final de uma declaração em que criticou os problemas associados à abertura do ano letivo, aquele responsável defendeu a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições: «Aí é que está a solução para os problemas da educação e de todos os outros setores».

O dirigente frisou que mais de 90 por cento dos professores sem vínculo que se candidataram a contrato ficaram no desemprego, tendo sido contratados 3.256 docentes, contra 4.545 no ano anterior, «o número mais baixo alguma vez verificado».

Destacou, por outro lado, que se aposentaram 30.000 professores, desde 2007.

O encerramento de mais 300 escolas do 1.º Ciclo, com a transferência das crianças para grandes agrupamentos que classificou como «espaços profundamente desumanizados», esteve também entre as críticas do partido.

Numa declaração lida na sede do partido, em Lisboa, Jorge Pires defendeu que os dados mais recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) confirmam Portugal como «um dos países que menos investiu em educação, entre 2000 e 2010», uma situação que, disse, «se agravou» com a chegada da troika.

«Nos últimos três anos, os cortes no orçamento para o ensino não superior atingiram 1.700 milhões de euros (-26 por cento) e 401 milhões para o Ensino Superior (-16 por cento)», alegou.

Além dos professores, faltam pelo menos 5.000 funcionários nas escolas, segundo o PCP.