O presidente da comissão eleitoral das eleições primárias do PS, Jorge Coelho, afirmou esta quarta-feira ser «impossível» uma «chapelada» naquele processo, em que «não haverá qualquer contemplação para quem quer que seja».

Em entrevista à Antena Um, que será transmitida esta quinta-feira, Jorge Coelho disse também que quando falou de António Costa como candidato à Presidência da República estava a «tentar contribuir para que houvesse calma e tranquilidade no PS». Coelho qualifica o presidente da Câmara de Lisboa como alguém que reúne «características do que há de melhor na sociedade portuguesa».

«Um ia para primeiro-ministro [António José Seguro] e o outro [António Costa], como é evidente, pelas características que tem, não o estou a ver a ficar na Câmara Municipal de Lisboa a vida toda», afirmou Jorge Coelho, referindo-se a uma entrevista que deu ao «Expresso» em março, em que colocava António Costa como candidato presidencial.

Sobre as primárias de 28 de setembro, Coelho afirmou que se trata de «um processo totalmente transparente, em que não haverá qualquer contemplação para quem quer que seja, de qualquer candidatura que tente fazer o que quer que seja».

Questionado sobre a possibilidade de uma fraude, António Coelho declarou que uma «chapelada» é «impossível» nas primárias do PS.

«As pessoas sabem todas dentro do PS, sabem os candidatos, sabem as estruturas, que a comissão eleitoral não deixa passar nada, nada, o que quer que seja», declarou, sublinhando a independência da comissão eleitoral, na qual ninguém «é candidato a nada, nem quer ser».

Jorge Coelho revelou que os simpatizantes registados para votar nas primárias ultrapassam já os 80 mil, mas prevê que venham a ser mais de 200 mil.

«Nunca um partido político teve a capacidade de mobilizar estas pessoas para uma eleição. Depois é preciso mobilizá-los para irem votar», disse, no programa de entrevistas da editora de Política da Antena Um, Maria Flor Pedroso.

Coelho reconhece que as primárias «não vão ser umas eleições fáceis», receia que permaneçam «feridas» que «fragilizem o PS no futuro» e disse que tudo fará para que isso não aconteça.