Marcelo Rebelo de Sousa é o “Mr. Simpatia”, que “se passa da cabeça" nos debates por não estar habituado a ter ninguém que o conteste e que, ainda para mais,  tirou umas “férias conjugais do PSD e do CDS” para estas presidenciais. As palavras são de Jorge Coelho que, esta quarta-feira, jogou em casa, que é como quem diz Viseu, pela candidatura de Maria de Belém.

A candidata à Presidência terminou hoje o dia de campanha com um jantar-comício em terras de direita, num distrito que é, de resto, conhecido como Cavaquistão. Mas não esteve sozinha. A apoiá-la teve um peso pesado do PS, que enalteceu a sua biografia e atacou - com humor, diga-se - o adversário Marcelo Rebelo de Sousa.

O ex-ministro de António Guterres chamou Marcelo de “Mr. Simpatia” e, admitindo que “se diverte imenso” com o candidato de direita, sugeriu que o antigo comentador volte para a televisão para reduzir os custos do Serviço Nacional de Saúde. É que, segundo Jorge Coelho, como ele diverte tanto as pessoas, depois da sua saída o consumo de medicamentos contra depressões deve ter aumentado. 

“Se houvesse um concurso de comentadores eu votava em Marcelo Rebelo de Sousa para rei dos comentadores, para Mr. Simpatia na área da política. Nunca ninguém me divertiu tanto como Marcelo Rebelo de Sousa. [...] A falta que ele faz ao domingo. Acho que deve ter havido um aumento do consumo de medicamentos contra as depressões e acho que para diminuir a despesa do Serviço Nacional de Saúde é fazer com que ele perca as eleições e volte novamente para comentador.”


Palavras que provocaram muitas gargalhadas na sala da Expocenter, que, até agora, foi palco da maior mobilização de apoiantes - mais de uma centena, certamente. Mas o socialista não se ficou por aqui. Afirmou que o que se viu nos debates foi Marcelo a “passar-se da cabeça” por não estar habituado a ter ninguém que conteste o que diz.

“Marcelo Rebelo de Sousa está habituado a ter uma conversa todos os domingos sem ter ninguém à frente para contestar o que ele está a dizer. Só que, que chatice, as eleições não são nada disso. E passa-se da cabeça, fica irritado, reage de forma abrupta, desgastando-se.”

Para Jorge Coelho, Marcelo fez com o PSD e o CDS aquilo que os casais costumam fazer quando o matrimónio não está a correr bem: tirou “uma férias conjugais”.

“Marcelo foi à Madeira e reuniu-se o PSD e o CDS todo. Hoje ficou claro que Marcelo Rebelo de Sousa é como os casais quando o casamento não está a correr bem. É o que se chama férias conjugais. Dá-lhe jeito, mas a meio das férias conjugais há desvios e hoje a Madeira foi um desvio. Hoje ficou claro que ele é o candidato da direita."


E deixou o aviso: "Nas férias conjugais às vezes, no fim, tudo se resolve e é o que acho que vai acontecer com ele”.

Quanto a Maria de Belém, Jorge Coelho alertou: “Ninguém se meta com ela”. Disse que a estatura da candidata era enganadora pois Belém não é uma pessoa frágil, mas antes "uma Joana D’Arc".  

Maria de Belém que, naturalmente, fechou os discursos. E aqui importa referir que antes de Jorge Coelho subiram ao palco Fernando Girão, mandatário distrital, e Bruno Matias, mandatário da juventude.

Na sua intervenção, a candidata voltou a recuperar a ideia de "obra feita" para assumir o compromisso de fazer "aquilo que sempre" fez "mas com instrumentos que permitem fazer mais depressa".

A ex-presidente do PS garantiu ainda que será a defensora da administração pública e dos funcionários públicos.

"Eu serei a repsresentante dessas pessoas, a defensora do prestígio da administração e da função pública. O interesse público na hierarquia das prioridades é a primeira porque o interesse público serve a coletividade. É o que diz respeito a todos nós. Realizei muitas coisas na minha vida. [...] Comigo as pessoas podem saber e verificar."


Maria de Belém fechou o quarto dia de campanha em Viseu, depois de ter começado as ações mais a norte, no distrito de Aveiro. O dia foi marcado pela defesa de uma das suas bandeiras: a igualdade de género. A candidata procurou convencer o eleitorado feminino e estará a contar com ele para ganhar vantagem a Sampaio da Nóvoa.