A família é da Palestina, ela nasceu no Kuwait, estudou no Egipto e casou na Jordânia. Tem um pouco de cada um destes países árabes ao qual se junta uma educação ocidental, tornando Rania Al Abdullah provavelmente o melhor exemplo da junção entre os dois mundos.

VEJA AS FOTOS

A sua acção na defesa dos Direitos Humanos, principalmente das mulheres e das crianças, valeu-lhe o Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa, atribuído esta segunda-feira, na Assembleia da República.

As primeiras palavras de Rania foram dedicadas a Portugal e aos portugueses, um exemplo segundo a própria, que recordou os Descobrimentos para exemplificar a sua teoria: «Quero que portugueses e jordanos estejam entre os novos exploradores culturais.»

«Tanto o mundo árabe como o mundo ocidental querem melhorar as relações entre ambos, mas cada um pensa que o outro não quer. É uma questão de confiança», disse.

Reis da Jordânia já estão em Portugal

Sublinhando «o fosso psicológico» que ainda existe entre as culturas, Rania Al Abdullah pretendeu «relembrar as semelhanças» entre elas, num discurso veemente, impetuoso e pleno de emoção. «Quero que o diálogo promova a cooperação. E por isso recordo a importância da Internet para aproximar o ocidente do mundo árabe: hoje, uma viagem de milhares de quilómetros começa com um clique», afirmou.

«O modelo de mulher árabe moderna»

Antes, já o presidente do Conselho Executivo do Centro Norte-Sul tinha elogiado Rania, «por construir pontes entre as culturas». «Durante os recentes e terríveis confrontos em Gaza, no momento em que um pai perdeu cinco dos seis filhos, sua majestade colocou uma simples questão que resumiu toda a miséria e o absurdo do mundo: «Que explicação podemos dar a este pai de família?», contou Claude Frey.

Seguiu-se a secretária-geral adjunta do Conselho da Europa, Maud de Boer-Buquicchio: «A rainha Rania é um modelo a seguir da mulher árabe moderna, misturando abertura e modernidade com respeito pela tradição.»

Jorge Sampaio, o outro galardoado da tarde, até se esqueceu do protocolo e interrompeu o discurso para elogiar o «soberbo discurso» da rainha jordana.

O rol de elogios terminou com Cavaco Silva, que sublinhou o empenho de Rania «na defesa dos direitos e liberdades da mulher, na promoção do seu papel na família e na comunidade, não apenas na Jordânia, mas a nível mundial».

A sala do Senado pareceu pequena para aplaudir Rania, a rainha de traços e cultura árabe que é um exemplo para todo o mundo.