A Juventude Socialista quer que o Governo esclareça se houve ou não racismo na forma de atuação da polícia nos vários incidentes que sucederam, após ajuntamentos de jovens, nomeadamente junto ao Centro Comercial Vasco da Gama, em Lisboa.

O incidente junto ao Centro Comercial Vasco da Gama aconteceu na tarde do dia 20 de agosto, na sequência de um «meet» de centenas de jovens, convocado nas redes sociais.

Em comunicado, o líder da Juventude Socialista (JS) diz que o «Governo tem de esclarecer se houve racismo na atuação das forças de segurança».

«Interrogamo-nos sobre a razão pela qual ainda não foi aberto um inquérito para apurar o sucedido», aponta João Torres.

Com vista a esclarecer esta questão, vários deputados da JS vão hoje formalizar uma pergunta ao Governo com vista a «esclarecer se a discriminação racial tem estado por detrás da ação da polícia nos incidentes recentes que envolveram vários jovens, designadamente o ocorrido na semana passada, no Centro Comercial Vasco da Gama».

«A JS está preocupada com estes acontecimentos, suspeitando que a ação da PSP tenha estado na origem dos desacatos», lê-se no comunicado.

Os jovens socialistas lembram que já em 2012 as Nações Unidas referiam a existência de «racismo subtil» em Portugal e defendem que «a emergência de novos fenómenos desta natureza pode estar associada ao agravamento da condição de vida da juventude portuguesa».

Para a JS não se pode confundir o que aconteceu junto ao Centro Comercial Vasco da Gama com uma «manifestação gratuita de violência» por parte dos jovens que participaram no encontro.

«O não esclarecimento célere destas ocorrências contribui para o alarme social e para que se adense o preconceito e a discriminação, bem como pode originar fenómenos de revolta e até violência de maior escala», sustenta ainda a JS.

Na sequência dos desacatos na tarde do dia 20, houve quatro jovens detidos e cinco polícias feridos.