O Partido Socialista "estranha" e "lamenta" a decisão do Presidente da República de indigitar Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro. João Soares disse, na reação ao anúncio de Cavaco Silva, considerar inevitável que o novo Governo de Passos Coelho "caia nesta Assembleia da República". 

"[É uma decisão que] Faz o país perder tempo, porque inevitavelmente aquele que foi indigitado como futuro primeiro-ministro vai cair nesta Assembleia da República. E vai ser preciso chamar alguém com condições de assegurar um governo estável e duradouro em termos de apoio parlamentar. Isso só pode ser feito pelo partido socialista, pelo Bloco de Esquerda e pelo Partido Comunista Português."

 
João Soares lembrou que "António Costa tem dito, tal como a líder-coordenadora do Bloco de Esquerda e o líder do PCP que não há condições de governabilidade para um Governo de Direita". Assim, o PS considera "estranho e de lamentar que o senhor Presidente da República tenha indigitado um Governo que não tem condições para assegurar um governo estável e duradouro". 


PCP reforça promessa de moção de censura


Pelo Partido Comunista, João Oliveira considerou que a decisão de Cavaco Silva "traduz uma postura de confronto e de desrespeito pela constituição da República portuguesa, onde estão consagrados os fundamentos do regime democrático que o Presidente devia respeitar".
 

"O presidente da república deve assumir as consequências pela instabilidade que resultará desta decisão que assumiu."

 

"Apresentaremos na Assembleia da República uma moção de rejeição do programa de Governo apresentado pelo PSD e pelo CDS, para que este governo possa ser interrompido na sua ação destruidora do país."


Decisão de Cavaco é "facciosa"


Em declarações no Jornal das 8 da TVI, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, considera que a decisão de Cavaco Silva "apela à instabilidade do país e desrespeita a vontade manifestada pelos portugueses".
 
"Dissemos com muita franqueza ao senhor Presidente da República que essa solução não terá condições de estabilidade na Assembleia da República", sublinhou, defendendo que o novo Governo "não vai passar o seu programa de governo, não vai fazer passar o seu orçamento".
 
Catarina Martins considerou que Cavaco Silva "está a dizer que um milhão de pessoas que votaram nos partidos sem serem os três partidos que o senhor Presidente da República considera serem capazes de formar Governo". "Está a dizer que os votos desse milhão de portugueses não valem nada", acrescentou.
 

"O senhor Presidente da República consegue surpreender, sendo ainda mais faccioso que os piores comentários da Direita que temos ouvido nos últimos tempos. (...) Teve, mais do que um discurso de partido, um discurso de seita."


A solução mais instável para o país


A deputada de "Os Verdes" Heloísa Apolónia lamentou que o Presidente da República tenha indigitado o líder do PSD como primeiro-ministro, argumentando que optou pela solução mais instável para o país.

"Veio optar por uma solução que sabe que não tem qualquer durabilidade. Estão anunciadas moções de rejeição, se todos os partidos tiverem palavra, essa moção de rejeição ao programa do Governo será aprovada e, portanto, o Governo não continuará", afirmou Heloísa Apolónia aos jornalistas no parlamento, sublinhando que Cavaco Silva optou "pela solução mais instável para o país".


Referindo-se às negociações que têm decorrido entre PS, BE, PCP e PEV para uma solução de Governo alternativa a um executivo PSD/CDS-PP, Heloísa Apolónia sublinhou que Cavaco Silva sabe, porque ouviu os partidos, "que poderia ter sido criada uma alternativa com garantias de durabilidade e de sustentabilidade".

Confrontada com as críticas do Presidente a entendimentos do PS com partidos que não comungam de compromissos europeus ou da Aliança Atlântica, a deputada ecologista respondeu: "'Os Verdes' não consideram oportuno que o senhor Presidente da República determine quais são as políticas que os partidos políticos têm de prosseguir".

Cavaco Silva anunciou, esta quinta-feira à noite, que indigitou Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro.