“Há aqui coincidências temporais que são de facto esquisitas. Mas não me parece que haja uma relação de comando mecânico entre a Justiça e o poder. […] Espero que ele [Sócrates] possa provar a sua inocência.”

O socialista deixou duras críticas à forma como as informações sobre o caso têm surgido na imprensa. Soares falou num “chorrilho de afirmações” que têm sido “comidas pela opinião pública como verdades” e foi mais longe, afirmando que, atualmente, com as novas tecnologias de informação e comunicação, não acredita no segredo de Justiça e este “não tem condições para ser mantido”.

Para o socialista, é “absolutamente inaceitável” o facto de ainda não serem conhecidas as acusações contra o ex-primeiro-ministro e a prisão preventiva é uma “decisão injusta”.

“Acho isto absolutamente inaceitável. Ninguém conhece as acusações ao fim de seis meses e meio. Que mal está a nossa justiça! Só uma pessoa com muita ma fé pode dizer que há perigo de fuga e o perigo de continuação de uma atividade criminosa está completamente fora de causa.”

Soares, que admitiu não ter sido um apoiante de Sócrates dentro do partido, sublinhou que o texto do ex-primeiro-ministro, divulgado esta segunda-feira, revela uma “grande dignidade, coragem e firmeza de caráter”.

“O texto de ontem é de uma grande dignidade. Revela coragem e firmeza de carater. “

Esta terça-feria soube-se que José Sócrates vai continuar em prisão preventiva. A decisão foi tomada pelo juiz Carlos Alexandre, depois de o Ministério Público fazer saber que, dada a recusa da aplicação da pulseira eletrónica, “a substituição da prisão preventiva ficou inviabilizada”.