O candidato do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara de Lisboa (CML), João Semedo, afirmou esta sexta-feira que o partido quer «dar mais força e pluralidade à esquerda» na capital, e «desequilibrar os impasses», a «favor dos lisboetas».

João Semedo, que encabeça uma lista que integra seis candidatos independentes (num total de 17), mostrou-se «muito confiante» na eleição de um vereador na Câmara da capital e no reforço da representação bloquista na Assembleia Municipal e nas Juntas de Freguesia.

«Aquilo que está verdadeiramente em causa é dar mais força e mais pluralidade à esquerda. O BE é a força que pode desequilibrar a favor de Lisboa e a favor dos lisboetas as decisões e os impasses que existem na CML», disse o candidato aos jornalistas, depois de ter entregado no Tribunal Administrativo de Lisboa as listas candidatas à eleição de 29 de setembro.

João Semedo afirmou que estas listas ¿ que integram 600 candidatos, a maioria mulheres, «são listas de lisboetas que não esperam pelas eleições para se mexer em nome de Lisboa e por Lisboa».

«Estas são pessoas ligadas aos mais variados ativismos e às mais variadas causas e que, antes e depois das eleições, são pessoas que se dedicam a melhorar Lisboa, a pôr Lisboa ao serviço de todas as pessoas, sobretudo daquelas que têm menos condições sociais e económicas», acrescentou.

Sendo eleito vereador, João Semedo não conta «mudar de vida». Pretende manter-se na coordenação do Bloco de Esquerda e no parlamento, como deputado: «Acho que é tudo compatível. A Câmara está a menos de um quilómetro do parlamento e a menos de um quilómetro da sede do Bloco», afirmou.

O candidato disse também que considera que, «com Fernando Seara ou sem Fernando Seara» (candidato apoiado pelo PSD/CDS-PP/MPT, e que aguarda do Tribunal Constitucional a decisão sobre um eventual impedimento de se candidatar), «o Governo vai ter um candidato à CML e esse candidato vai perder».

Semedo considerou que «os lisboetas sabem o que foi uma câmara dirigida pela direita», e que «ainda ninguém se esqueceu de Pedro Santana Lopes, como também ainda ninguém se esqueceu da austeridade de Pedro Passos Coelho». Por isso, concluiu, «a candidatura da direita em Lisboa não tem nenhumas condições de ter um resultado vitorioso».

A lista do BE à CML é composta por João Semedo (BE), José Gusmão (BE), Sofia Crisóstomo (BE), Diana Andringa (independente), Ricardo Moreira (BE), Margarida Garrido (independente), Manuela Correia (independente), Manuel Grilo (BE), Conceição Peralta (BE), Mariana Avelãs (independente), Gustavo Behr (BE), Guadalupe Simões (independente), Inês Tavares (BE), José Gema (BE), Rui Neves (BE), Maria João Brás (independente), e Paulo Viera (BE).

A socióloga Ana Drago, que foi deputada à Assembleia da República desde 2002, é a cabeça de lista do partido para a Assembleia Municipal, seguida de Mariana Mortágua, economista, e que vai substituir Ana Drago no parlamento.

Além da candidatura de João Semedo, «Queremos Lisboa! + Habitada + Viva + Solidária», são já conhecidas as candidaturas do PS (a coligação ¿Juntos Fazemos Lisboa¿, liderada por António Costa), do PSD/CDS-PP/MPT (a coligação «Sentir Lisboa», encabeçada por Fernando Seara), da CDU (João Ferreira), do PPM/PND/PPV (Nuno Correia da Silva) e do PCTP/MRPP (Joana Miranda) à presidência da Câmara de Lisboa nas eleições autárquicas de 29 de setembro.

O socialista António Costa lidera a Câmara de Lisboa, que é composta ainda por oito vereadores do PS (três de movimentos independentes), sete da coligação PSD/CDS-PP/MPT/PPM e um da CDU, escreve a Lusa.