O coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, desvalorizou hoje a 12.ª avaliação da troika a Portugal e acusou os governantes de serem «mentirosos», por aumentarem os impostos, depois de garantirem que não o iam fazer.

«Eu não conheço bons alunos que sejam, simultaneamente, mentirosos. E nós temos um governo de mentirosos», insistiu o dirigente bloquista, recordando que o executivo de Passos Coelho «prometeu há muito pouco tempo que não haveria mais impostos», mas acabou por anunciar agora que «os impostos em vez de baixarem, vão subir».

Para João Semedo, a alegada avaliação positiva da troika a Portugal não surpreende o BE, que diz estar habituado a ver «o aluno a passar sempre», porque «o aluno e o professor são da mesma família».

«Todos os exames foram passados, eventualmente até cumpridos, mas o exame real, a prova real, é o estado em que se encontra o país», realçou João Semedo, referindo-se aos «2 milhões de pobres», ao «milhão de desempregados» e à «economia colapsada» em que se verifica no país.

No seu entender, as políticas da troika, fizeram com que Portugal tenha «recuado muitos anos», apresentando agora «mais dificuldades» económicas e sociais.

«Se a economia apresentasse os bons resultados, que só existem na imaginação do dr. Paulo Portas, não seria necessário aumentar os impostos, nem cortar salários e pensões», lembrou João Semedo.

Na opinião do coordenador nacional do BE, a austeridade «está para ficar» e a única forma de interrompe-la é «demitir o Governo» de coligação PSD/CDS.

«Enquanto estes governantes governarem o país, eles não sabem fazer outra coisa. São uns bons alunos da troika, mas são uns péssimos professores para o país», lamentou o dirigente bloquista.

João Semedo, não perspetiva, por isso, que Portugal possa abandonar tão cedo a ajuda da troika.