O coordenador do BE afirmou que o Governo da maioria PSD/CDS-PP é um executivo «de sonsos» e que nunca os portugueses pagaram «tanto por tão pouco», referindo-se ao Orçamento do Estado para 2015.

 

«Eu diria que se pode resumir este OE na frase nunca pagámos tanto por tão pouco, ou seja, nunca se pagou tanto imposto em Portugal. É recordista em receita fiscal, são 38 mil milhões, ao mesmo tempo em que os apoios sociais e o investimento nos serviços públicos se reduzem. Vai haver menos educação, menos Serviço Nacional de Saúde, menos proteção social», disse João Semedo, numa sessão pública, em Lisboa, dedicada ao tema da pobreza.

 

O deputado bloquista acusou o elenco governativo liderado por Passos Coelho e Paulo Portas de aumentar a receita fiscal, mas diminuir «a tributação sobre os lucros das empresas», prometendo que o seu partido vai contribuir, na medida do possível, durante a discussão do OE2015 na Assembleia da República, para fazer face às preocupações com o desemprego e pobreza.

 

«O IRC passa de 23 para 21% e é bom não esquecermos que, no início do ano, já tinha baixado dos 25%. No intervalo de um ano, este Governo, amigo dos lucros e dos acionistas, baixou 4% o IRC ao mesmo tempo que sobrecarrega as pessoas», sublinhou.

 

Para João Semedo, «um Governo que faz um OE mais amigo das empresas do que das pessoas, que esquece aqueles que mais precisavam de ser ajudados, os pobres e os socialmente excluídos, é um Governo de sonsos porque é a maior carga fiscal de sempre e, durante meses e meses a fio, ouvimos falar de moderação fiscal».

 

Ao lado do coordenador do BE esteve o economista José Luís Albuquerque, especialista em assuntos relacionados com a segurança social, que alertou para diversos aspetos comparativos com a União Europeia a 15, designadamente o diferencial de menos 3,3 pontos percentuais que diz continuar a existir nas prestações sociais em Portugal face aos seus congéneres.