O coordenador do Bloco de Esquerda João Semedo defendeu este sábado que votar no PS é votar no bloco central sonhado por Seguro e Passos Coelho, alertando que o Governo vai aumentar os impostos independentemente da decisão do Tribunal Constitucional.

João Semedo discursava no encerramento de um jantar da pré-campanha para as eleições europeias, em Setúbal - onde esteve presente o ex-líder dos bloquistas Francisco Louçã - onde defendeu que a derrota da coligação PSD/CDS-PP a fragiliza e por isso «é tão importante que nenhum voto da esquerda fique em casa».

«No dia 25 de maio, votar PS não é votar em qualquer alternativa, já nem sequer é votar na alternância. É votar no bloco central que Pedro Passos Coelho e António José Seguro há tanto tempo andam a sonhar», alertou.

Assumindo que o primeiro combate, é «conseguir que toda a esquerda vá votar», João Semedo considerou que para além de não ir às urnas, outra forma de desperdiçar o voto é votar «naqueles que vão desperdiçar os votos que nós lhe entregamos».

O coordenador do BE considerou ainda «inadmissível e inaceitável» a pressão sobre o Tribunal Constitucional feita sexta-feira pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

«Fiquemos com esta certeza para desde a já a combatermos: o Governo prepara um novo aumento de impostos e um violento aumento de impostos seja qual for a decisão do TC tomar e sobretudo usando esta decisão como pretexto», avisou.

Estabelecendo como primeiro objetivo a eleição da cabeça de lista Marisa Matias, «garantindo assim a voz do Bloco no Parlamento Europeu», João Semedo disse que o partido quer mais: «Queremos lutar pela eleição do João Lavinha», o número dois da lista bloquista.

«Se elegermos dois eurodeputados, há certamente um deputado do CDS que foi ao ar e ninguém à esquerda recusará esta troca. Ninguém à esquerda preferirá um deputado do CDS do que Bloco de Esquerda», sublinhou.

Sobre a conferência do Banco Central Europeu - marcada para Lisboa no dia das eleições europeias e que já mereceu a queixa do Bloco de Esquerda à Comissão Nacional de Eleições - João Semedo espera que o «bom senso se imponha e prevaleça e aquilo que estava preparado para começar no domingo, comece apenas no dia seguinte», garantindo que o partido não se calará «enquanto não virmos adiada esta cimeira».

«Mas temos também que dizer que se o bom senso não prevalecer, podemos desde já garantir-lhes que vamos ter um domingo animado e que não julguem que de Sintra vão ter só os bons ares e os bons climas. Vão ter muito mais. Vão ter o protesto do povo português», alertou.

Café PSD e leite PS «viram galão» depois das eleições

A cabeça de lista às europeias do BE considerou que Passos Coelho e Seguro «já nem disfarçam» os acordos pós-eleitorais, dizendo que o PSD é o café e o PS é o leite, mas depois das eleições viram «galão».

«Hoje em entrevistas aos jornais soubemos que Pedro Passos Coelho e António José Seguro estão disponíveis para fazer acordos pós-eleitorais. (...) Agora já nem sequer disfarçam. Pelo menos antigamente, em altura de campanha disfarçavam e depois das eleições lá vinha o acordo», disse Marisa Matias num jantar de pré-campanha para as europeias em Setúbal.

Na opinião da cabeça de lista, «não são de factos dois partidos iguais, são partidos diferentes» mas fez uma comparação: «se o PSD é o café e o PS é o leite, sabemos que depois das eleições lá nos calha outra vez o galão. E isso é inevitável».

Marisa Matias insistiu na necessidade do combate à política de austeridade da Europa e na realização de um referendo ao tratado orçamental.

A cabeça de lista bloquista voltou a criticar Pedro Passos Coelho pela pressão sobre o Tribunal Constitucional, considerando que o Governo que «mais impostos aumentou na história da democracia em Portugal» não se pode esconder atrás do tribunal.