O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo considerou, este domingo, que «é uma ironia ouvir o PS a falar também em dois líderes» concluindo que afinal isso «não é tão assim um bicho-de-sete-cabeças».

João Semedo referia-se à proposta feita pelo secretário-geral do PS, António José Seguro, de introduzir nos estatutos deste partido a realização de eleições primárias para o candidato a primeiro-ministro e à hipótese de isso conduzir a que haja um líder interno e outro na chefia do Governo.

Em conferência de imprensa, num hotel de Lisboa, sobre as conclusões da reunião da Mesa Nacional do BE, João Semedo defendeu que o modelo de dois coordenadores, um homem e uma mulher, adotado pelos bloquistas «tem sido bom» e não «dificultou a atração do eleitorado».

Por outro lado, em nome da Mesa Nacional do BE, João Semedo lamentou e condenou a ideia de uma diminuição do número de deputados, também avançada por António José Seguro, no sábado, na reunião da Comissão Nacional do PS - que se realizou num contexto de disputa da liderança por parte do autarca socialista António Costa.

Questionado sobre a possibilidade de o PS realizar primárias para o seu candidato a primeiro-ministro, João Semedo respondeu: «O primeiro comentário é irónico. Não posso deixar de sorrir quando ouço outro partido e um partido como o PS a admitir soluções como aquela que o BE nos seus contornos gerais tem desde 2012. Enfim, é uma ironia ouvir o PS a falar também em dois líderes».

João Semedo, que coordena a Comissão Política do BE em dupla com Catarina Martins, ressalvou que no caso dos socialistas não se trata «propriamente de dois secretários-gerais» e que não se quer «envolver nos problemas do PS, de maneira nenhuma».

«Estou só apenas a achar interessante», acrescentou, concluindo: «Significa que esta ideia de dupla liderança não é tão assim um bicho-de-sete-cabeças como no início se fazia crer».