O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) acusou o Governo de «esconder» o acordo com a troika sobre cortes nas pensões e salários da Função Publica e Durão Barroso de ser um «especialista em branqueamentos», nomeadamente do fascismo em Portugal.

Em Braga, João Semedo considerou a forma do cálculo de reformas que consta num documento da Comissão Europeia, hoje divulgado em diversos órgãos de comunicação social e que aponta a intensão de indexar o valor das reformas a critérios económicos e demográficos, como sendo uma «treta» porque deixa na «dependência exclusiva da vontade dos governantes» o valor das reformas.

Ainda sobre o aumento do salário mínimo, também referido naquele relatório, o coordenador do BE acusou Pedro Passos Coelho de se «lembrar» desta questão porque «dá certamente votos» para PSD e CDS-PP.

Referindo-se ao episódio do briefing com os jornalistas que envolveu o secretário de Estado da Administração Pública, que revelou a intenção do Governo de alterar a forma de cálculo das pensões, Semedo apontou que hoje se ficou a saber que, «afinal de contas» só foi revelado «aquilo que o Governo já tinha acordado com a troika».

Ou seja, «o corte nos salários, o corte nas pensões, nos serviços públicos, o desemprego na administração pública, tudo para reduzir a despesa pública a partir do ano de 2015».

Para João Semedo, José Leite Martins «merece uma salva de palmas porque teve coragem de dizer ao país aquilo que o Governo escondia que já tinha acordado com a Comissão Europeia, o FMI e com a troika».

Segundo o coordenador do Bloco de Esquerda, «ficamos a saber que pensões e reformas deixam de estar dependentes do que cada um desconta, para ficar ao sabor da vontade dos governos que podem, a qualquer momento, alterar o valor de reformas e pensões».

Semedo considerou «treta» a forma de cálculo avançada no relatório: «Dizem que vão ficar indexadas à economia, ao crescimento económico, à evolução demográfica e a um conjunto de outros indicadores com uma relação entre os inativos e ativos. Treta. Isto significa que deixam de ficar dependentes do que cada trabalhador desconta para ficarem na dependência exclusiva da vontade dos governantes».

Além do primeiro-ministro e do Governo, também Durão Barroso foi alvo de críticas por parte de João Semedo.

«Lembrou-se agora de Portugal, seguramente porque há eleições para o Parlamento Europeia, que dizem respeito ao seu PDS e a ele próprio, pessoa interessada em eleições não para o Parlamento Europeu mas as presidenciais», disse.

Segundo João Semedo, «Durão Barroso mostrou-se neste dois dias um especialista em branqueamento» porque «tentou branquear o passado do PSD no BPN e vem agora tentar branquear o passado fascista do nosso país».

Isto porque, explanou, «apesar de algumas liberdades cortadas, é assim que [Durão Barroso] se refere a 48 anos de ditadura fascista, encontrou méritos na educação do regime fascista».

Mas, salientou, «esqueceu-se das brutais taxas de analfabetismo, que só ia à escola quem tinha pais que a pudessem pagar».

A discussão sobre o salário mínimo, cujo aumento é referido no documento da Comissão Europeia, não passa para Semedo de «conversa da treta» por parte do primeiro-ministro.

«O primeiro-ministro não pretende aumentar o salário mínimo, pretende aumentar os votos do PSD E CDS», acusou.