O coordenador do BE João Semedo desafiou hoje o primeiro-ministro a interromper as suas férias e deslocar-se à Assembleia da República na quinta-feira para explicar a solução encontrada para o Banco Espírito Santo (BES).

Sublinhando que a solução encontrada «põe em risco as finanças públicas e dinheiro dos contribuintes», João Semedo instou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, a «dar a cara por essa solução».

«Desafiamos o primeiro-ministro a interromper as suas férias e a não se esconder atrás da ministra das Finanças e a estar na Assembleia da República na quinta-feira, na reunião da comissão permanente», afirmou o coordenador do BE, numa conferência de imprensa na sede do partido.

João Semedo lembrou, a propósito, que Pedro Passos Coelho foi o primeiro responsável político a dizer que da operação desenhada «jamais haveria qualquer risco de utilização de um euro que fosse de dinheiros públicos» e, por isso, é a ele «que compete dar a cara».

«Hoje os portugueses já não querem mais explicações, o que os portugueses querem é garantia que não será utilizado dinheiro público», insistiu, recordando que na preparação da solução para o BES o próprio Governo criou dois fantasmas, o da falência do banco ou da nacionalização.

No final, continuou, «fugindo a um e a outro, criou uma solução que não é carne nem é peixe e é uma solução que põe em risco as finanças públicas e o dinheiro dos contribuintes».

Pois, não é verdade que o Estado se vai limitar a emprestar 4.600 milhões de euros, na medida em que é o próprio Estado «o último responsável sobre esse valor».

«Não é verdade que o Estado se limite a emprestar, é ele mesmo a garantia do empréstimo. Se os 4.600 milhões de euros não forem reembolsados é o Estado que terá que fazer reembolso, o Estado é o garante desse empréstimo», explicou.

Além disso, acrescentou, há um segundo risco relacionado com os processos de impugnações e indemnizações que a criação do chamado "BES mau" vai dar origem, pois não serão processos apenas contra os anteriores administradores, mas também vão contestar a decisão do Estado.

Questionado sobre qual a solução que o BE advogaria para o BES, o coordenador do partido referiu que uma das hipóteses seria exigir que fosse todo o setor bancário privado a recapitalizar na íntegra o novo banco - deixava no privado aquilo que já se sabe que vai ser entregue.

Outra hipótese, acrescentou, seria nacionalizar o banco: «não podemos olhar para a nacionalização como um papão, os problemas de fraude, fuga à informação, incumprimento relativamente ao regulador só se verificam na banca privada».

O BES, tal como era conhecido, acabou este fim de semana depois de o Banco de Portugal (BdP) ter anunciado a sua separação num "banco bom", denominado Novo Banco, e num "banco mau" ("bad bank").