O deputado do Bloco de Esquerda João Semedo manifestou-se hoje preocupado com a sobrelotação das urgências do Hospital de Santa Maria e propõe a criação de novos serviços de urgência básica.

Esta preocupação foi manifestada por João Semedo aos jornalistas no final de uma reunião com o presidente do Conselho de Administração do Hospital de Santa Maria, Carlos Martins.

Considerando que o serviço de urgências é o «calcanhar de Aquiles» do Serviço Nacional de Saúde (SNS), com equipas de poucos profissionais, o deputado de BE propõe que «onde há urgências polivalentes haja também urgências básicas para atender pessoas com situações menos urgentes e assim libertar as urgências hospitalares».

O Hospital de Santa Maria é o exemplo de um «hospital sobrecarregado de doentes que poderiam ir a outros serviços», considerou o líder do BE, partido que na sexta-feira leva a discussão plenária um projeto de lei no sentido de instalar urgência básica nos centros urbanos onde a única resposta seja a urgência polivalente ou médico-cirurgica.

Questionado sobre se o Hospital de Santa Maria está a «recusar» atender doentes com consulta marcada, o presidente do conselho de administração negou categoricamente.

A comunicação social noticiou que os grandes hospitais ¿ como São João, no Porto, e de Santa Maria e S. José, em Lisboa, estão a recusar doentes fora da área de residência por falta de recursos.

«Não recusamos doentes alguns, primamos pela capacidade de resposta», afirmou explicando: «fizemos uma reorganização primando pela melhoria de acesso aos nossos serviços, transferindo doentes em lista de espera».

Para Carlos Martins «não faz sentido» um doente de Faro, por exemplo, vir a Lisboa, quando pode ter resposta em tempo na sua área de residência.

«Temos doentes de todo o país e nunca nos passou pela cabeça encaminhá-los para outro lado, dada a complexidade da sua patologia», mas há outros casos em que a orientação clínica é para devolver o doente ao seu médico de família ou encaminhá-lo para a sua área de residência.

Em causa não estão questões financeiras, como fez questão de sublinhar, mas apenas «fazer mais e melhor com menos».

Prova disso são os indicadores de 2013 relativos àquele hospital, que aumentou a produção, diminuiu os tempos de espera nas urgências, aumentou as receitas e diminuiu as despesas, frisou o responsável.

Confrontado com estes dados, João Semedo não falou especificamente dos resultados do Hospital de Santa Maria, mas lembrou que o programa do Governo defende do «direito de escolha», mas «quando trata dos hospitais empurrarem a despesa de uns para os outros, o Governo fecha os olhos».

A propósito assinalou que «até no congresso do PSD se ouviram críticas ao ministro Paulo Macedo e à sua política para a Saúde».

Como pode o país estar melhor, se as pessoas estão pior e a dívida maior?

Mas o deputado do Bloco de Esquerda também acusou hoje o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, de fazer «propaganda» ao afirmar que o país está melhor, quando, na realidade, as «pessoas estão pior» e a «dívida maior».

No início da sua intervenção, Luís Montenegro repetiu a ideia de que «Portugal está melhor» do que há dois anos, embora a «recuperação da economia» ainda não se faça sentir na vida de «muitos portugueses». «Portugal hoje tem futuro e em 2011 nós não tínhamos futuro», defendeu.

Para João Semedo, esta é uma «frase de propaganda» e «é difícil acreditar que o país esteja melhor, quando as pessoas estão pior».

«Isso é uma frase de propaganda, de campanha eleitoral. Continuam a fazer-se cortes em nome do défice, mas os esforços são em vão e a dívida está maior», afirmou o líder do BE, defendendo a necessidade de mudar de política.