O Bloco de Esquerda (BE) acusou este sábado o Governo de fabricar «um país de ficção, que está melhor, para enganar os portugueses», quando o país real é aquele que ficou a saber na sexta-feira que a austeridade afinal será «permanente».

Na sessão de abertura de um ciclo de debates sobre a universidade promovido pelo Bloco de Esquerda (BE), o dirigente partidário João Semedo pronunciou-se sobre a 11ª avaliação da Troika, afirmando: foi «anunciada ontem [sexta-feira] como concluída, mas ficámos a saber que é inacabada».

«O primeiro-ministro anunciou que o pior já tinha passado e o vice-primeiro-ministro anunciou que 2014 ia ser melhor do que aquilo que o Governo tinha previsto. Isto é tudo uma fantasia, porque se assim fosse não seria necessário, como já sabemos que vai acontecer, novas medidas de austeridade, se assim fosse, aquilo que o Governo tinha prometido como transitório ¿ o corte nos salários e o corte nas pensões ¿ não iria ser tornado definitivo como já sabemos que vai acontecer», considerou.

O dirigente do Bloco de Esquerda aponta o «fosso» cada vez maior existente entre a realidade e o discurso da realidade de um país cor-de-rosa, fabricado a partir de «boas notícias que o Governo todos os dias inventa».

No entanto, a realidade é que «ficámos a saber pelos próprios [troika] que quando saírem deixam a austeridade, deixam aprovado o tratado orçamental, que é como uma lei-quadro de austeridade permanente», defendeu.

«A troika, os credores, já anunciaram isso mesmo ao país», que vai haver mais cortes, mais austeridade e que «aquilo que era provisório vai ficar definitivo»: a troika sai mas a sua política fica.

João Semedo lamentou, pois, que «o Governo todos os dias invente boas notícias», quando «já sabemos que as más notícias, as notícias verdadeiras, virão depois das eleições europeias em maio».