Os coordenadores do Bloco de Esquerda (BE), João Semedo e Catarina Martins, escreveram hoje uma carta aberta «às esquerdas» onde reclamam uma «grande convergência» contra a austeridade para enfrentar a «dimensão dos problemas» de Portugal.

«Pela nossa parte, estamos empenhados nesse percurso de pensamento e articulação com vista a formas de convergência de oposição e de proposta em torno de bases programáticas claras que, gerando mobilização e entusiasmo, permitam ganhar força política, social e eleitoral. A dimensão dos problemas que o país enfrenta exige uma grande convergência das esquerdas», escrevem os líderes do Bloco, numa missiva divulgada no portal Esquerda.net.

Para João Semedo e Catarina Martins, só essa convergência «permite abrir um horizonte de esperança a quem não desiste de Portugal», e tal união é possível, «como ficou à vista nas mobilizações de rua dos últimos três anos, na ação parlamentar comum dos partidos de esquerda, noutras iniciativas várias como os fóruns e ações promovidos pelo movimento sindical».

Os líderes do Bloco assinalam todavia que este «diálogo aberto entre partidos e forças» deve ser feito entre aquelas «que lutam contra a austeridade» e envolvam «cidadãos independentes, ativistas e movimentos sociais, indispensáveis ao esforço para a construção de uma alternativa alargada».

No seu texto hoje divulgado, os coordenadores bloquistas frisam que uma esquerda que «pretenda protagonizar um caminho efetivamente alternativo para Portugal» nas eleições legislativas de 2015 tem «duas obrigações irrecusáveis» perante o país: a primeira, assinalam, é «não dar qualquer apoio a um governo, mesmo que dirigido pelo PS, que prossiga políticas de austeridade como as impostas pelo Tratado Orçamental».

A segunda obrigação passa, na opinião dos parlamentares do Bloco, por «construir um amplo campo de recusa das imposições da União Europeia (UE) e de concretização de um programa de transformação social fundado no primado dos direitos constitucionais e na universalidade dos serviços públicos».

«Sobre essa base, é possível uma oposição convergente e reforçada, capaz de afirmar-se como alternativa e de triunfar sobre a alternância estéril», advogam.

João Semedo e Catarina Martins falam também sobre a «luta pelo poder entretanto aberta no PS», onde «a crispação entre os dois protagonistas não ilude o compromisso de ambos com as políticas da UE e a aceitação, resignada ou entusiasta, do Tratado Orçamental que impõe mais cortes, promove o desemprego, acentua o declínio nacional e a pressão para o êxodo dos jovens».

«Quem aplicar esta estratégia governa contra o país e não tem uma política de esquerda», escrevem os líderes do BE.

Nas europeias de 25 de maio o partido elegeu uma eurodeputada, a cabeça de lista Marisa Matias.

A carta de hoje seguiu-se à Mesa Nacional do partido, órgão máximo entre convenções, e que se realizou no domingo passado.