O coordenador do BE, João Semedo, considerou este sábado que um eventual segundo resgate financeiro a Portugal será da responsabilidade dos líderes do executivo da maioria PSD/CDS-PP pela «brutal austeridade» que impuseram ao país.

Na sessão final do Fórum Socialismo 2013, em Lisboa, o deputado bloquista apelou ainda aos votos à esquerda nas eleições autárquicas de 29 de setembro como forma de penalizar a atual maioria parlamentar, desejando ainda uma decisão do Tribunal Constitucional que impeça que haja «um Alberto João Jardim em cada concelho» porque «já basta e é deixá-lo na Madeira».

«O Governo quer fazer crer, Passos Coelho quer fazer crer, que esse segundo resgate se tornou inevitável por causa da Constituição e do Tribunal Constitucional (TC) e que é a salvaguarda, a proteção, a defesa dos direitos dos trabalhadores que obriga o Governo a recorrer a um segundo resgate», continuou.

O candidato a Lisboa do BE defendeu que «o que condena inevitavelmente o país a um segundo resgate é a política de austeridade que este Governo e a troika impuseram».

«Não há Constituição, não há TC, não há direitos dos trabalhadores que condenem o país a um segundo resgate», sustentou.

«Que não haja qualquer dúvida de que um segundo resgate é dose dupla de austeridade, de sacrifícios, de desemprego e de que é obra de Passos Coelho e de Paulo Portas», apontou Semedo, ironizando que «foram mais as milhas que Paulo Portas viajou do que os milhões que trouxe para Portugal», em termos de investimento estrangeiro.

Para o coordenador do BE, «cada voto nos candidatos do PSD e no CDS será um aplauso a esta política de austeridade» nas eleições autárquicas, apelando «às portuguesas e portugueses que votem maioritariamente à esquerda».

BE vai lutar pelo salário mínimo e subsídio de desemprego

O BE vai apostar no aumento do salário mínimo, no alargamento do subsídio de desemprego e num programa de reabilitação urbana, de forma a reanimar a economia, prometeu João Semedo.

«Vamos defender o aumento do salário mínimo nacional, que não é atualizado há três anos e é o mais baixo da zona Euro, alargar o subsídio de desemprego porque há mais de um milhão de desempregados e mais de metade não tem qualquer assistência», afirmou.

No encerramento do Fórum Socialismo 2013, o deputado bloquista, cabeça de lista na corrida a Lisboa, em setembro, avançou ainda a ideia de um «programa nacional de reabilitação à habitação urbana».

«Para reanimar a economia. Temos mais de meio milhão de casas vazias. Com isto, podiam criar-se 60 mil novos postos de trabalho, o que significaria um crescimento de quatro por cento do Produto Interno Bruto», justificou Semedo sobre as próximas iniciativas do BE no Parlamento, a partir de setembro.