O coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, disse hoje encarar a descida da taxa de desemprego no segundo trimestre como uma variação sazonal, pelo que se mantém o problema da recessão causada pela austeridade.

Em declarações aos jornalistas em Faro minutos após a divulgação dos números do desemprego para o segundo trimestre do ano, que apontam para uma quebra da taxa de 17,7 para 16,4%, João Semedo afirmou que as «pequenas variações sazonais têm a ver com o período de verão, [que é] um período em que há uma oferta maior de trabalho».

«O problema de fundo é a recessão da economia. Enquanto continuar a austeridade e provocar a recessão não conseguimos ter emprego para todos os portugueses», disse o coordenador do Bloco de Esquerda.

Também o PCP considerou que o recuo para 16,7 por cento da taxa de desemprego no segundo trimestre é reflexo do «efeito sazonal» e não revela qualquer alteração da «situação de desastre económico e social» do país.

«Os dados hoje revelados pelo INE referentes a este inquérito ao emprego do segundo trimestre de 2013 não revelam qualquer alteração da situação de desastre económico e social em que o nosso país se encontra e que resulta do pacto de agressão assinado pelo PS e que o atual governo PSD/CDS tem levado à prática», afirmou o dirigente do PCP José Lourenço, em declarações à Lusa.

A taxa de desemprego em Portugal foi de 16,4% no 2.º trimestre, 1,3 pontos percentuais abaixo do trimestre anterior, mas mais 1,4 pontos percentuais do que no mesmo período de 2012, estimou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo os resultados do Inquérito ao Emprego do INE, de abril a junho a população desempregada foi de 886 mil pessoas, o que representa um aumento homólogo de 7,1% e uma diminuição trimestral de 7,0% (mais 59,1 mil e menos 66,2 mil pessoas, respetivamente).

Já a população empregada foi de 4,5 milhões de pessoas, o que traduz uma diminuição homóloga de 3,9% e um aumento trimestral de 1,6% (menos 182,6 mil e mais 72,4 mil pessoas, respetivamente).