Os deputados do Bloco de Esquerda e do Partido Ecologista «Os Verdes» João Semedo e José Luís Ferreira, respetivamente, desvalorizaram hoje a moção de confiança apresentada pelo Governo no Parlamento.

O coordenador bloquista apontou o dedo à «dissimulação política clara» do agora vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, citando também «as contrapartidas dos submarinos», a «mentira» da ministra das Finanças, a «podridão do BPN e SLN», personificada no novo ministro dos Negócios Estrangeiros e afirmou que «o novo ciclo» (económico) anunciado é «uma ficção».

«Esta moção de confiança é para a fotografia e é apresentada a pedido do Presidente da República. Uma moção de confiança que não confia, dissimula», disse Semedo, sublinhando que, «desta vez, não há equívoco - trata-se de dissimulação política clara».

O primeiro-ministro justificou a moção de confiança, uma semana depois da rejeição da moção de censura de «Os Verdes» por o Governo entender dever «solicitar à câmara, meio do seu mandato, uma resposta pela positiva».

«Se o apelo que fazemos à câmara pudesse ser encarado como desafio ao Presidente da República, não o apresentaríamos. Estou muito confortável com a moção de confiança», contrapôs Passos Coelho, criticando o parlamentar do BE por se entusiasmar com «dissimulações» e nada falar «sobre as reformas de que Portugal tanto precisa».

Para João Semedo, «o novo ciclo de crescimento é uma ficção» e o líder do executivo tem de fazer uma escolha porque «a austeridade mata a economia».

«Siga o seu próprio conselho, vá fazer alguma coisa para outro lado, mas deixe os portugueses em paz», pediu Semedo, citando declarações de Passos Coelho sobre a mobilidade na função pública», as quais considerou repletas de «arrogância, soberba e jactância».

O deputado ecologista José Luís Ferreira condenou o facto de o Governo afirmar «uma coisa num dia e fazer o seu contrário no dia seguinte», referindo-se à apresentação da moção de confiança, no abandono dos «super-ministérios» ou à promessa eleitoral de não aumentar impostos.

«É um Governo desacreditado face ao resultado das suas políticas. Vamos ficar a aguardar pacientemente pela próxima birra», afirmou, questionando o líder do executivo sobre os noticiados cortes de 4.700 milhões de euros, mas sem obter resposta, a não ser o compromisso de Passos Coelho para com a «disciplina nas contas públicas».