O PS declarou nesta quarta-feira uma «clara oposição» ao corte nas pensões defendendo que não está em causa a convergência com o setor privado, mas um compromisso do Governo assumido unilateralmente com a troika.

«O PS reitera a sua clara oposição ao corte no valor de pensões já atribuídas. É uma medida injusta que viola claramente princípios fundamentais, nomeadamente, o princípio da confiança e até vai contribuir para agravar a recessão e o desemprego», disse à Lusa o secretário nacional socialista João Proença.

João Proença diz que «obviamente» não é a convergência com o setor privado que está em causa, como alega o Governo, porque essa convergência «foi declarada por um Governo do Partido Socialista, em 2005, as medidas estão em curso, e o que está em causa agora é um corte com efeitos retroativos».

«É um corte que não tem nada a ver com a reforma do Estado, que tem a ver com um compromisso do Governo unilateralmente assumiu com a troika que, de facto, é extremamente violento para pessoas hoje reformadas e que não têm qualquer alternativa de rendimento», argumentou o socialista acrescentando que «é mais um corte, que o próprio FMI referia como a medida mais gravosa que podia ser feita».

João Proença lembrou aindaque o primeiro-ministro recusou este corte em maio, na Assembleia da República, e que o atual ministro da Economia, António Pires de Lima, numa moção ao Congresso do CDS-PP (entretanto desconvocado), «afirmou, claramente, justamente isso, que era contra quaisquer cortes por violarem o princípio da confiança».