A maioria PSD/CDS-PP e o PS votaram esta quarta-feira juntos contra o projeto de resolução do PCP, que defendia a renegociação da dívida externa portuguesa, face aos votos favoráveis de comunistas, bloquistas e ecologistas, no Parlamento.

«Os partidos do arco da dívida só conseguem ver o país pelos olhos dos credores. Continuam agarrados à obsessão de contrair novos empréstimos para pagar os anteriores e não apresentam uma única garantia de que, mantendo a mesma opção, os problemas do país serão resolvidos», lamentara, no encerramento do debate, o líder parlamentar do PCP, João Oliveira.

O deputado comunista sublinhou «a repetição, três anos depois, da ausência do Governo numa matéria de interesse nacional» e criticou PS, PSD e CDS-PP por «fugirem à discussão».

«Escolheram o euro e a União Europeia para não assumirem as suas próprias responsabilidades no contínuo endividamento do país», afirmou, acrescentando que a maioria e os socialistas «agitam fantasmas de colapso económico e social» em caso de aprovação da resolução do PCP quando «esses fantasmas são consequências das políticas da direita».

João Oliveira condenou ainda a atuação de PSD e CDS por, «ao fim de três anos e 51 mil milhões de dívida a mais, toda a preocupação estar concentrada nos especuladores», sem coragem para «enfrentar os banqueiros».

«Até podem chumbar a proposta para a renegociação, mas ficou mais um passo nesse caminho», concluiu, reiterando a necessidade de demissão do Governo e convocação de eleições legislativas antecipadas, a fim de ser adotada uma política «patriótica e de esquerda», no sentido de promover a produção nacional e o consequente crescimento económico.