Os europeus dizem estar muito preocupados com os recursos hídricos, mas poucos reconhecem poupar água, afirmou o ministro do Ambiente, defendendo que a Europa pode fazer mais na sustentabilidade das infraestruturas.

João Matos Fernandes falava de um estudo coordenado por Portugal sobre a água na Europa, que inclui um inquérito a agentes e cidadãos europeus, elaborado a propósito do Fórum Mundial da Água, que decorre até sexta-feira em Brasília, no Brasil.

Em declarações à agência Lusa a partir de Brasília, o ministro destacou no documento a constatação da "grande preocupação que o conjunto dos agentes e até dos cidadãos tem com o recurso água, mas a 'dessintonia' entre essa preocupação e a sua própria ação e atitude quotidiana".

"Todos sabemos que é muito importante, o comum das pessoas inquiridas reconheceu a relevância e preocupação, mas quando se vai à pergunta no que está a fazer, são muito poucos os que estão a fazer" alguma coisa no sentido de poupar e proteger o recurso água, explicou o ministro do Ambiente.

Por outro lado, defendeu, "pensam mal aqueles que acham que a Europa já fez tudo o que tinha a fazer [na área da água], isso não é de todo em todo verdade".

O governante realçou que, no contexto mundial, a Europa "está evidentemente em destaque pela positiva".

Mas, "se estamos muito preocupados com a sustentabilidade do recurso, podemos fazer muito melhor do que fazemos hoje na sustentabilidade das infraestruturas", avançou.

Segundo o responsável, a cada ano são substituídos 2% da rede, isto é, a cada 50 anos há uma rede nova.

"É mesmo uma assunção que temos de fazer porque se não gerirmos os ativos que temos e eles não tiverem uma equação saudável do ponto de vista económico-financeiro, não a vão ter do ponto de vista ambiental", alertou Matos Fernandes.

Por isso, "o futuro não é um futuro melhor na gestão dos recursos é um futuro que pode ser pior se não percebermos que a sustentabilidade das infraestruturas é uma questão chave e aqui a Europa tem muito a fazer", nos próximos anos, resumiu.

Deu como exemplo, as cidades de Porto e Lisboa que já têm substituído as suas infraestruturas a ritmos entre 2% e 3% ao ano.

O Fórum Mundial da Água definiu vários temas relacionados com a água, como as alterações climáticas, a justiça ou a pobreza.

Está prevista a apresentação de relatórios sobre diversos assuntos e acerca de diferentes regiões do mundo, um deles é sobre as prioridades listadas pela Europa no que respeita à água, um documento preparado por Portugal durante o último ano.

Os países europeus identificaram prioridades como a adaptação às alterações climáticas, a gestão conjunta, articulada e eficiente da água e, na cidade, a economia circular.