O vice-presidente da bancada parlamentar do PS João Galamba acusou, nesta quinta-feira, o vice-primeiro-ministro Paulo Portas de tentar enganar os portugueses relativamente às propostas socialistas, referindo também que não gostaria de o ver “tentar criar medo para o exterior”.

“O doutor Paulo Portas veio mais uma vez tentar fazer um número e enganar os portugueses quanto ao impacto das propostas do Partido Socialista, apoiadas pelos partidos à sua esquerda, dando a ideia de que a esquerda devia corar de vergonha porque na realidade, alega Paulo Portas, os pensionistas mais pobres tiveram aumentos maiores com a coligação do que vão ter com os partidos à esquerda. Isto é falso”, afirmou João Galamba.
 

"Os pensionistas, e em particular os pensionistas pobres, podem ficar seguros de que ficarão com mais rendimentos e que verão as suas condições de vida melhorar face a qualquer proposta que tenha sido feita, e eu suspeito que possa vir a ser feita, pela coligação de direita. E isto é irrevogável."

 
Para o deputado socialista, o ponto mais importante "nem é a atualização das pensões".

"É perceber que o rendimento dos pensionistas é o produto da pensão e do rendimento da pensão, portanto não podemos fazer um juízo sobre o que vai acontecer ao vencimento dos pensionistas sem ter em conta estas duas medidas em conjunto", considerou, garantindo que "esta é uma daquelas medidas em que a posição, sobretudo na parte do complemento solidário para idosos, tem acordo total e é uma medida a executar de imediato".

E, neste sentido, João Galamba acusou o vice-primeiro-ministro de dar “a entender que aumentou o rendimento dos pensionistas mais pobres, quando na verdade aumentou cerca de 10 euros mas cortou 20 euros no complemento solidário para idosos”.
 

“Os pensionistas mais pobres, ao contrário do que disse o doutor Paulo Portas, não ficam pior, ficam melhor e quem devia corar de vergonha é o doutor Paulo Portas por aquilo que fez ao rendimento, sobretudo dos pensionistas mais pobres dos pobres, que são pessoas que têm a pensão mínima e, por não terem outra fonte de rendimento, têm o complemento solidário para idosos.”


O Partido Socialista pretende, agora, “descongelar a regra de atualização de pensões que foi suspensa pelo Governo”, assim como “recuperar os cortes feitos por Paulo Portas nos últimos quatro anos no complemento solidário para idosos”. E o resultado final das duas medidas, na opinião de Galamba, “é substantivamente mais elevado do que qualquer proposta feita pela coligação ou que venha a ser apresentada pela coligação”.

O deputado do PS vincou também esperar não ver “Paulo Portas na figura de incendiário, tentando criar medo para o exterior”, após o líder do CDS-PP se ter mostrado, na quarta-feira, preocupado com a visão internacional de que o Governo está dependente de reuniões do comité central comunista.