O porta-voz do PS, João Galamba, considerou esta sexta-feira que os dados da estimativa da UTAO "são francamente positivos", valorizando a melhoria de pelo menos 1,5% face ao défice homologo do ano passado.

O que a UTAO nos diz é que o défice em contabilidade nacional deve ter ficado entre 2,6% do PIB e 4%, isso significa que, na pior das hipóteses, há uma melhoria de 1,5% face ao défice homólogo do ano passado. Como o objetivo anual é reduzir o défice em apenas um ponto, eu diria que estes números são francamente positivos", afirmou João Galamba aos jornalistas antes do arranque dos painéis de discussão inseridos no 21.º Congresso do PS.

Na nota sobre execução orçamental de abril, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) estima que o défice tenha atingido os 3,3% do PIB no primeiro trimestre deste ano em contas nacionais, as que contam para Bruxelas, considerando que essa previsão "coloca desafios" ao Governo para o resto do ano.

É preciso não esquecer que o primeiro trimestre é sempre o pior trimestre do ano e que é normal no primeiro trimestre o défice ficar bastante acima da meta anual e depois há uma correção natural ao longo do ano", sustentou João Galamba.

O porta-voz socialista defendeu que o que "deve ser valorizado é a melhoria relativamente ao ano passado e é uma melhoria mais elevada do que a melhoria anual que se espera neste Orçamento".

"A UTAO também falou da execução orçamental em contabilidade pública até Abril e o que notamos aí é uma aceleração da receita, sobretudo do IVA, e a despesa mantém-se controlada", acrescentou.

João Galamba reiterou que "a meta do défice é muito exigente, é um objetivo orçamental complexo, é preciso muito rigor na execução orçamental", mas considerou "francamente animador" o revelado pelo UTAO.

A UTAO estimou, na nota a que a Lusa teve hoje acesso, que o défice das administrações públicas no primeiro trimestre de 2016, em contabilidade nacional (a que conta para Bruxelas), se tenha situado entre 2,6% e 4%, apontando para um valor central de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

O desvio desfavorável para o défice do primeiro trimestre face ao objetivo anual definido no Orçamento do Estado para 2016 [2,2% do PIB] não coloca necessariamente em causa o seu cumprimento, mas coloca desafios à execução orçamental dos próximos trimestres", afirmam os especialistas da Unidade Técnica.