O Partido Socialista admitiu, nesta quarta-feira, a possibilidade de nacionalizar o Novo Banco, depois de o PCP ter defendido essa opção.

"Se não houver nenhuma oferta que proteja os contribuintes e que seja uma oferta positiva, que dê viabilidade ao banco, ou seja, se não houver nenhum comprador com uma oferta razoável, se calhar o melhor é mesmo o banco ficar na esfera pública", afirmou João Galamba na TSF.

Para o vice-presidente do grupo parlamentar do PS deve haver "uma discussão séria e detalhada sobre as vantagens e desvantagens de todas as soluções", convidando os partidos "que tenham um contributo válido" a participar no debate.

"O que não podemos é partir do pressuposto que é necessariamente melhor vender, por definição, seja qual for o preço, ou necessariamente melhor ficar com ele na esfera pública porque sim", defendeu.

João Galamba lembrou que o seu partido prefere a venda, mas que está aberto a discutir outro futuro para o Novo Banco.

“O Partido Socialista defende a sua venda, pensa que isso é melhor para os contribuintes portugueses, porque poderão recuperar parte do dinheiro que emprestaram ao Fundo de Resolução. Neste momento, uma venda por qualquer valor terá sempre um impacto positivo no défice e na dívida, mas se outros partidos como PCP e BE entendem que o banco deve estar na esfera pública é possível ter um debate sobre isso. O debate não deve é estar centrado no vender ou nacionalizar”, argumentou.

O deputado socialista insistiu numa discussão séria, concretamente assente nas implicações que teria para a esfera pública a existência de dois bancos do Estado.

“Se o Estado ficasse com o banco deixaria de receber o montante que não sabemos qual é que um eventual comprador poderia pagaria pelo Novo Banco e que afetaria positivamente o défice e ajudaria a reduzir a dívida. O importante é percebermos que não podemos ter este debate só com chavões, se deve ser público ou privado, temos de perceber o que implicaria ser público, quais as vantagens. Teria o estado vantagens em ter o Novo Banco quando já tem a Caixa, tendo em conta as necessidades de recapitalização da Caixa e eventuais necessidades de recapitalização futura do Novo Banco? Tem o estado condições financeiras para ser um acionista capaz de dois bancos? Esta é a discussão que devemos ter”, sustentou João Galamba.