João Galamba subiu ao púlpito do comício do PS, em Viseu, com um tom irónico e cheio de garra no discurso. Começou por disparar em relação a Portas e, depois, em relação a todo o Governo no caso BES/Novo Banco, ao qual o próprio deputado se dedicou bastante a analisar, na comissão de inquérito ao BES. António Costa aproveitou o impulso.

"Ficámos a saber recentemente, quando Passos Coelho ficou num aperto sobre os lesados do bes, a ideia que ele tem quanto ao acesso aos direitos fundamentais. Quando remeteu para a Justiça quem foi enganado, dispôs-se até com apoio do seu próprio bolso a organizar uma petição pública pelo acesso à justiça [para ajudar um dos lesados com que se cruzou". Ora, os direitos fundamentais não se asseguram por subscrição pública"


Antes, já Galamba tinha insinuado que o INE vai anunciar amanhã o rombo nas contas públicas que o Novo Banco terá provocado: "Vamos já saber amanhã o que vai acontecer: a solução sem custos para os contribuintes vai sobrar para os contribuintes. O primeiro défice foi 7,4% o último défice vai ser 7,4% do PIB. Exatamente o mesmo défice que tínhamos em 2011 quando este governo entrou em funções".

O deputado socialista acusou ainda Paulo Portas, Maria Luís Albuquerque, Passos Coelho e Cavaco Silva, " já agora", de terem garantido que a intervenção no BES era "limpinha". Carregou ainda mais na ironia:

"Tinhamos a saída limpa, uma maravilha. Acontece que este foi mais um engano e com dolo. Não é lapso, é um não é engano, é de propósito". 

Por isso, João Galamba exigiu que o governo "tem de explicar muito bem quem paga, como paga e quando paga". "Tem de explicar muito bem explicadinho. o que não pode continuar é tentar fugiré o dever de Paulo Portas e Passos Coelho explicarem e explicarem já", insistiu.


Promessas de "muito mais" e "quermessezinhas"


O vice-primeiro-ministro foi o alvo preferencial de Galamba noutro plano. Acusou-o de  "enlamear o adversário, recorrendo a todas as mentiras" e de não explicar nada nem "detalhadamente" o corte de 600 milhões nas pensões.

"Hoje Paulo Portas bateu todos os recordes. Disse que António Costa ia cortar as pensões mínimas. Não leu o programa. Nós vamos aumentar as pensões mínimas. Vamos investir mais, muito mais e mais do que esta maioria nos apoios sociais. Há muito a fazer para corrigir aquilo que eles destruíram nos últimos quatro anos. Através das políticas que propomos vai haver menos pessoas", prometeu.

"Asbtenha-se de falar. Abstenha-se de forma irrevogável porque não lhe fica mesmo nada bem andar a dizer dos outros o que andou a fazer durante quatro anos"


António Costa também aproveitou para folhear currículo. O seu, claro. "Já ando na política há demasiados anos para perder, modéstia à parte, os créditos que acumulei, ao longo de vários anos, na vida pública". Quis marcar a diferença em relação a Passos e à sua legislatura, olhando não só para os próximos quatro anos, mas ainda mais à frente:

"Para me dizerem daqui a quatro anos que volto a merecer a confiança e não estou como o Dr. Passos Coelho e que não cumpri aquilo que prometi fazer"


Voltou ainda a "sopa dos pobres" que, disse, o Governo fez das cantinas sociais em pleno século XXI. Nova ironia, falando como se fosse o Governo: "Pelo natal fazemos uma quermessezinha para dar aos pobres".

O comício no Inatel da cidade historicamente laranja contou com casa cheia, ecrã gigante e entusiasmo nos discursos e entre os apoiantes. Foi o ponto alto do périplo desta terça-feira no distrito, depois de uma arruada contida, outra praticamente inexistente e uma visita a uma fábrica que até é um bom exemplo em tempo de crise.