O deputado socialista João Galamba reagiu esta quinta às acusações feitas pelo PSD contra o ministro das Finanças, Mário Centeno, considerando tratarem-se de "alegações sem sentido" que visam proteger a anterior titular do cargo, Maria Luís Albuquerque.

É a enésima cortina de fumo lançada pelo PSD nesta comissão parlamentar de inquérito [ao Banif]. O PSD tem vindo a inventar incidente atrás de incidente e hoje lançou uma alegação que não tem qualquer fundamento", reagiu o deputado do PS.

O PSD acusou o ministro das Finanças de prestar "um depoimento falso" na comissão de inquérito do Banif sobre o seu papel na venda ao Santander Totta, e já solicitou o regresso do governante à comissão com caráter de urgência.

Não vamos obstaculizar a vinda do ministro das Finanças a esta comissão. O PS viabilizará o requerimento do PSD", anunciou aos jornalistas Galamba, antes do arranque dos trabalhos da comissão de inquérito.

Ainda assim, segundo João Galamba, a intenção do PSD é proteger Maria Luís Albuquerque, considerando que a responsável foi "negligente" por não ter resolvido o problema do Banif ao longo dos três anos em que esteve no cargo.

Soube-se agora que houve uma proposta de 700 milhões de euros para comprar o Banif. Maria Luís nunca falou desta proposta e isso merecia a sua chamada com caráter de urgência a esta comissão", afirmou.

Em causa está uma proposta avançada pela Ample Harvest Investment Capital, com sede em Hong Kong, ao governo de Passos Coelho, noticiada pelo jornal Público, e que nunca foi falada durante as audições da comissão de inquérito.

Questionado sobre se o PS pretende chamar a ex-ministra de novo à comissão de inquérito, Galamba disse que tal vai acontecer, mas não no imediato.

"Chamaremos a ex-ministra em tempo oportuno. Não queremos criar cortinas de fumo, tal como faz o PSD", sublinhou.

E atirou: "O que está mais do que provado é que Maria Luís Albuquerque, no caso Banif, quis proteger as eleições e não os contribuintes".

Os sociais-democratas, através dos deputados Luís Marques Guedes e Carlos Abreu Amorim, apresentaram hoje aos jornalistas um ‘email' "cujo conteúdo põe frontalmente em causa o depoimento" do ministro Mário Centeno na comissão de inquérito, onde foi ouvido na semana passada.

Em causa está uma missiva de Danièle Nouy, presidente do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE), onde - no sábado, 19 de dezembro, pela manhã - esta diz ter recebido chamadas de Centeno e do vice-presidente do BCE, Vítor Constâncio, pedindo para o BCE "desbloquear a oferta do Santander junto da Comissão Europeia".

"A ser assim", diz o PSD, tanto Centeno como Constâncio, "provavelmente concertados, não o sabemos", pediram ao BCE uma "intervenção de amaciamento dos serviços da Comissão Europeia (presume-se que a DG Comp), para aceitarem a entrega do Banif ao Santander".

A decisão sobre a resolução do banco e venda ao Santander Totta deu-se nessa tarde de sábado, e o anúncio da mesma seria feito no dia seguinte, domingo (20 de dezembro).

Afinal o Governo português fez força para que o Banif fosse entregue ao Santander? Concertou essa iniciativa com o doutor Vítor Constâncio? Porquê o Santander?", interrogou Marques Guedes, um dos deputados do PSD na comissão de inquérito.

O parlamentar falava em conferência de imprensa tida no parlamento esta tarde, e onde estavam presentes a grande maioria dos deputados do PSD com assento na comissão de inquérito ao Banif.

Galamba contrariou as acusações do PSD e considerou que o ‘email' em causa mostra que "o Governo português tentou que houvesse mais propostas para o Banif" e que "não há favorecimento de nenhum banco".